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Um mês após morte de estudante que caiu de ônibus, nada mudou para os passageiros

Publicado em 07/06/2015, às 18h36 | Atualizado em 08/06/2015, às 06h45

Amanda Miranda e Mariana Campello Do NE10

Situação do ônibus na última sexta-feira (5), registrada no TI da Macaxeira / Foto: Mariana Campello/JC Trânsito

Situação do ônibus na última sexta-feira (5), registrada no TI da Macaxeira Foto: Mariana Campello/JC Trânsito

Nesta segunda-feira (8), completa um mês que uma estudante morreu ao cair de um ônibus lotado na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. Reclamações sobre a situação do transporte coletivo na Região Metropolitana tomaram as principais manchetes em seguida e o assunto provocou protestos e debates sobre o tema. No entanto, 30 dias depois, os passageiros continuam enfrentando as mesmas dificuldades.

Várias vezes perdi minha vez na espera, diz Édson Cícero

Várias vezes perdi minha vez na espera, diz Édson Cícero Foto: Mariana Campello/JC Trânsito

No Terminal Integrado da Macaxeira, o mecânico Cláudio Mirco, 24 anos, reclama da organização e demora dos ônibus diariamente, além da falta de veículos. "Aqui é péssimo demais! O povo no meio da fila invade o espaço dos outros e várias pessoas vão penduradas na porta do ônibus. E demora muito, espero 40 minutos pro meu (ônibus) chegar", reclamou Cláudio. Já a empregada doméstica Maria de Fátima, 44, reclama da desorganização das filas. "Eu acho que deveria ter mais policiais e melhorias na organização da fila, não existe alguém pra ajudar a organizar. Nós nunca sabemos qual será a hora que o ônibus vai chegar", desabafa. O pedreiro Edson Cícero, 37, faz coro sobre os problemas: "todos os dias é desorganizado isso aqui. Quando abrem as portas, pessoas empurram e invadem o espaço do outro. Várias vezes perdi minha vez na espera. E uma coisa que precisa melhorar aqui é a segurança", afirma.

A Central de Atendimento ao Cliente do Grande Recife Consórcio de Transporte recebe uma média de 270 ligações diárias, o que resulta em 4.448 reclamações de janeiro até essa sexta-feira (5). A principal denúncia é por não cumprimento do quadro de horário, com 1.469 ligações, seguida de queima de parada, com 971 registros.

O CASO - A estudante de biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Camila Mirele Pires da Silva, 18 anos, deixava a instituição no dia 8 de maio, uma sexta-feira, num ônibus Barro/Macaxeira superlotado, quando caiu do veículo. A jovem permaneceu consciente até chegar ao Hospital Getúlio Vargas (HGV), também na Zona Oeste, onde faleceu.

As investigações ainda estão sendo realizadas pela Delegacia de Acidentes e Delitos de Trânsito, sob responsabilidade do delegado Newson Mota. O prazo para a conclusão do inquérito acabaria neste domingo (7), mas Mota pediu mais tempo para descobrir como o acidente aconteceu e se há culpados.

O delegado questionou à equipe de perícia, por exemplo, como funcionava o mecanismo de abertura e fechamento da porta, se havia câmera no interior no ônibus, se esses equipamentos estavam funcionando corretamente e se há imagens captadas do momento do acidente. Outra dúvida do delegado enviada em ofício ao IC é sobre os ângulos de visão do motorista em relação aos demais passageiros e à parte externa do veículo.

Quando tiver acesso a essas respostas, Mota ainda fará algumas diligências. Até lá, prefere não se pronunciar sobre o caso. "Enquanto o laudo não chegar, não posso formar nenhum juízo", justificou.

Filas e falta de segurança incomodam os passageiros

Filas e falta de segurança incomodam os passageiros Foto: Mariana Campello/JC Trânsito

Prestaram depoimento, até agora, cerca de 10 pessoas, entre eles o motorista e o cobrador do ônibus e oito passageiros. A maioria das testemunhas apresentou a mesma versão: Camila entrou pela porta do meio, devido à superlotação do ônibus. A bolsa dela ficou presa. O condutor queimou a parada seguinte e pouco depois a porta abriu e a garota caiu. Os passageiros gritaram para ele parar e desceram. Ninguém viu sinal de outro ônibus ou carro que pudesse ter atropelado a estudante.

Antes de ser ouvido pela polícia, o motorista afirmou à imprensa, em entrevista coletiva, que não teve culpa. "Estava com o veículo lotado. Não estava enxergando o retrovisor e pedia para um rapaz se afastar, mas ele me xingava", relatou. "Mesmo com o carro em movimento, sou obrigado a parar e eles invadem mesmo", disse ainda.

Depois do acidente, o condutor não teve condições emocionais de voltar ao trabalho e ficou afastado da função por mais de uma semana, segundo o Sindicato dos Rodoviários. Porém, afirma que, no dia do acidente, a empresa Metropolitana, concessionária da linha, pediu que ele realizasse mais duas viagens com o ônibus.

A Metropolitana só irá se posicionar sobre o assunto após a conclusão do inquérito. O Grande Recife Consórcio também prefere silenciar sobre o tema.

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  • De: André- 08/06/2015 20:49 Nada vai mudar enquanto o governador for o Sr. Paulo Câmara e existir este "Consórcio Grande Recife". O usuário só tem prejuízo.
  • De: Paula- 08/06/2015 16:38 Não muda, pois os personagens continuam os mesmos. O transporte público nosso é de mal qualidade e pagamos uma passagem cara para um serviço terrivel. Onibus sujos, que quando chove a água entra pelas janelas, molhando as cadeiras e os passageiros. Se são os opcionais, são também sujos, com os arcondicionados sem manutenção, sem falar na capa que cobre a parte superior todas muito sujas, um horror.
  • De: Severino Alexandre- 08/06/2015 10:51 Como mudar! se são os mesmos que comandam este terrível martírio, que é o nosso transporte. No metrô por exemplo, é todo dia a mesma coisa, os caras param o tempo o trem, alegando defeitos técnicos e nada é feito para se consertar e ainda fazem greve quando bem querem e o povo que fique bem quietinho se não......
  • De: Luciano- 08/06/2015 10:44 Nada mudou e nem vai mudar até que o usuário do sistema, a população, se manifeste contra o que está aí ofertado. Se depender apenas da boa vontade dos gestores, tudo ficará como antes na terra de Abrantes.
  • De: Alex- 08/06/2015 08:30 tudo continua como nada existisse, continuam tendo um lucro absurdo com com serviço de má qualidade enquanto os que morrem só são matéria no momento depois vira conto de era uma vez. O nosso brasil nunca será um país sério, pois todos só querem tirar vantagem, enquanto isso a população continua sofrendo.

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