Amor animal

Relação entre crianças e animais de estimação gera divergências entre especialistas

Publicado em 13/03/2015, às 09h22

Marilia Banholzer Do NE10

Todos os dias, a blogueira americana Jessica Shyba fotografa seu filho cochilando com o cãozinho da família / Foto: Reprodução /Momma?s Gone City

Todos os dias, a blogueira americana Jessica Shyba fotografa seu filho cochilando com o cãozinho da família Foto: Reprodução /Momma?s Gone City

Sucesso na web, vídeos em que animais de estimação servem como "babás" de bebês se proliferam e ganham curtidores em todo mundo. Consideradas fofas, as imagens que mostram os pequenos dormindo abraçados aos seus bichinhos ou recebendo lambidas carinhosas escondem perigos à saúde da criança que ainda não tem seu sistema imunológico totalmente formado. Para o pediatra Adriano Mendonça, é importante que a criançada mantenha uma convivência com os animais, mas é necessário estar atento a alguns riscos de infecções bacterianas e virais.

Relação entre crianças e bichinhos fortalece o desenvolvimento cognitivo dos pequenos

Relação entre crianças e bichinhos fortalece o desenvolvimento cognitivo dos pequenos Foto: Funpic

"A relação com o animal traz, com certeza, desenvolvimento cognitivo, senso de responsabilidade e civilidade, além dos laços afetivos. Mas quando esse contato se torna íntimo demais, a criança fica vulnerável a diversas zoonoses (raiva, toxoplasmose, micoses) transmitidas por cães, gatos e aves, por exemplo", avaliou o médico que atua no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Recife.

O médico alerta que, embora seja difícil deixar de lado a relação afetiva com o animal de estimação, que muitas vezes é visto como um "membro da família", é preciso que os pais entendam que os bichinhos não têm a higiene necessárias para se relacionar com crianças muito novas, como aquelas menores de cinco anos de idades. "Se o contato humano com humano traz riscos, quem dirá humano com animal. Pensar que expor as crianças aos riscos é fortalecer seus sistema imunológico é uma coisa muito simplista. Se fosse assim, vamos todos pegas todas as doenças para adquirir anticorpos", alertou o pediatra.

O especialista pondera, no entanto, que "como tudo na vida" é preciso saber dosar a relação entre a criança e seus animais de estimação. "Hoje a medicina avançou muito no uso de cães, cavalos, e muitos outros animais no tratamento de pessoas hospitalizadas, ou com distúrbios cognitivos. Os animais fazem bem, sim, à saúde", avaliou o médico que tem 15 anos de experiência na área.

Mãe de uma menina de 2 anos e 11 meses, a veterinária Erika Santiago rebate as afirmações do médico e afirma que não teme que sua filha se contamine com alguma zoonose e garante que a pequena Isabel tem livre acesso aos gatos da família, os peludos Guga, de 5 anos, e Almeida, de 7 anos. "Sempre haverá esse debate. Enquanto o médico diz que os animais oferecem riscos, nós veterinário vamos defender essa relação entre a criança e o animal", respondeu.


Isabel, de 2 anos e 11 meses, tem uma relação carinhosa com os gatos da família. Fotos: cortesia

Erika alerta que alguns cuidados básicos precisam ser tomados para evitar qualquer problema de saúde, como vacinar e vermifugar o animal de estimação e mantê-lo sempre higienizados, no mais, a relação deve acontecer de maneira livre. "Na minha gestação, li que se a grávida que mantém contato com animais de estimação o bebê desenvolve, automaticamente, anticorpos para diversas zoonoses. Hoje minha filha abraça, beija, e brinca com os nosso gatos sem nenhum problema", explicou a veterinária.


Para a mãe de Isabel, a relação da menina com os animais é muito sadia, uma vez que a pequena aprende a cuidar, amar e se preocupar com aqueles que são de outra espécie. "Só temos mais atenção, por exemplo, quando eles estão brincando. Ela não sabe medir a força ainda. Eles não sabem falar e dizer se está doendo. Aí a gente tem que ficar de olho para evitar que ela machuque os gatos e eles reajam arranhando, por exemplo", ressaltou Erika Santiago.

Confira dicas para um convívio saudável com animais em casa:

1 - O animal precisa ter o seu espaço delimitado. Não deve transitar livremente por todos os cômodos da casa; principalmente pela sala, quartos e cozinha;

2 - O adulto que cuida do animal deve sempre manter as mãos muito bem higienizadas. O pelo de alguns animais pode agravar quadros de asma em crianças; a higiene na casa é fundamental.

É preciso ficar de olhos quando a criança estiver brincando com o animal doméstico

É preciso ficar de olhos quando a criança estiver brincando com o animal doméstico Foto: Funpic

3 - Além da contaminação direta, o animal pode contaminar uma criança de forma indireta se tiver contato com a água, alimentação ou berço, sofá e roupas da crianças.

4 - O animal deve estar devidamente vacinado, vermifugado e tomar banhos periódicos - em climas quentes o ideal é uma vez por semana.

5 - Uma criança nunca deve ficar sozinha em algum ambiente com o animal.

Veja algumas das zoonoses que podem ser transmitidas aos humanos:

Doença Agente etiológico Animal de estimação
Arranhadura do gato Bartonella henselae
Gato
Blastomicose Blastomyces dermatitidis
Cão e gato
Brucelose Brucella canis
Cão
Coriomeningite linfocitária Arenavírus
Roedores
Criptococose Cryptococcus neoformans
Cão, gato, ovinos, primata
Dermatoses Ácaros e pulgas
Cão e gato
Doença de Lyme Borrelia burgdorferi, através de carrapatos Cão, mamíferos silvestres
Esporotricose Sporothrix schenckii
Cão e gato
Febre Maculosa Rickettsia rickettsii, através do carrapato-estrela
Cão, coelho, cavalo
Histoplasmose Histoplasma capsulatum
Pássaros
Leptospirose Leptospira spp.
Rato e gato
Raiva Vírus da raiva
Cão, gato e outros animais
Salmonelose Salmonella spp.
Cão, gato, hamsters, jabotis, aves e répteis
Teníase Hymenolepis nana e Taenia taeniformis
Cão, gato, hamster
Tétano Clostridium tetani
Homem e outros animais
Tularemia Francisella tularensis
Coelho e gato

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