entrevista exclusiva

Pernambucana que estava presa nos EUA perde guarda da filha

Publicado em 18/03/2014 , às 21 h21

Mariana DantasDo NE10

A luta da pernambucana Karla Janine Albuquerque, 43 anos, para conseguir a guarda da filha Amy, 6, ainda está longe de chegar ao fim nos Estados Unidos. Depois de ser presa e afastada da criança, a Justiça do estado da Flórida concedeu a guarda total da menina ao pai, o norte-americano Patrick Joseph Galvin, acusado por Karla de ter abusado sexualmente da filha quando a criança tinha apenas três anos de idade. Patrick é fichado no Departamento de Polícia da Flórida como “sex offender”. O termo define alguém que comete ou estimula atos sexuais com ou na presença de menores de 16 anos.

A qualquer momento, Amy, que está sob custódia da Justiça do Texas hospedada na casa de uma família temporária, poderá ser entregue ao pai. Preocupada com a situação da filha e ainda sem advogado para defendê-la, Karla concedeu entrevista exclusiva ao Portal NE10. Na conversa gravada em vídeo (abaixo), a pernambucana fala sobre as dificuldades que vem enfrentando desde que foi presa, no dia 16 de janeiro, por descumprir ordem judicial da corte ao fugir com a filha da Flórida. Sem comunicar à justiça norte-americana, ela se mudou da cidade de Stuart, na Flórida, para Brownsville, no Texas, impedindo que o pai visitasse a garota, como havia determinado o Poder Judiciário.



A pernambucana teria decidido fugir após o processo de abuso sexual contra o seu ex-marido ter sido arquivado, mesmo, segundo ela, com a apresentação de laudos do Department of Children and Families (DCF), espécie de conselho tutelar, e do parecer de um psicólogo confirmando o abuso.

Karla ficou 23 dias presa. Ela foi solta em 7 de fevereiro após a Corte atender a um pedido feito pelo Consulado Brasileiro e restringir o processo criminal ao estado da Flórida. Ou seja, ela continua respondendo ao processo e pode ser presa novamente caso retorne àquele estado. “A supervisora do DFC me informou que faltam apenas alguns papéis serem assinados para Amy ser transferida do Texas para a Flórida. Quando ela for levada, terei que voltar para Flórida e, provavelmente, serei presa novamente. É por isso que preciso de um advogado criminal para resolver a situação o mais rápido possível. Em relação à decisão da guarda, como ocorreu à revelia e eu não tive o direito de me defender, espero que seja revertida”. Karla diz que não foi notificada pela Justiça da Flórida e soube da decisão através de uma consulta ao processo na internet.

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Patrick é fichado no Departamento de Polícia da Flórida como “sex offender”

AMY -
Além de perder a guarda da filha, a pernambucana recebeu a informação de que a Justiça da Flórida negou o pedido de transferência do processo para o Texas, antecipando o que seria discutido em audiência no próximo dia 26 de março. “Como o pedido já foi indeferido, acho que a audiência será apenas para formalizar a recusa. A minha advogada cível do Texas fez o que pôde, mas agora está de mãos atadas porque não pode atuar na Flórida. Acho que teria mais chances se o processo continuasse aqui. As provas no Texas não foram analisadas como deveriam. Não entendo o motivo de a psicóloga paga pelo governo nunca ter sido ouvida. O meu ex-marido sequer prestou depoimento à polícia, enquanto eu, como denunciante, passei até por detector de mentira. Tenho medo que a situação se repita. Hoje Amy tem seis anos e pode se expressar. Vídeos foram gravados com o seu depoimento. Espero que sejam apreciados”, disse Karla.

Karla tem o direito de visitar Amy duas vezes por semana. Os encontros são supervisionados. “Amy é uma criança muito forte e inteligente, mas sinto que ela está sofrendo. Está longe da mãe, dos amigos e do seu lar. Na última visita, disse que chorou na cama, antes de dormir. Para uma mãe, ouvir isso é insuportável”.

Desde que saiu do presídio, Karla está hospedada na casa de amigos. Ela precisou entregar a casa que alugava e vender todos os seus móveis e pertences. Nas redes sociais, familiares de Karla criaram uma campanha (Welovekarlamy) para arrecadar recursos para as custas processuais.

ITAMARATY/OAB – Questionada se está recebendo apoio do Itamaraty, Karla afirmou que os consulados não oferecem o mesmo acompanhamento. “O consulado de Houston (Texas) presta um serviço adequado e digno para um brasileiro. Só aqui consegui o registro de nascimento da minha filha e o acompanhamento do caso. Quando estava na Flórida, pedi ajuda várias vezes, mas não tive reposta”.

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Em relação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que prometeu ajudá-la a conseguir um profissional com atuação pro bono (gratuita), a pernambucana contou que uma pessoa ligada ao órgão brasileiro chegou a enviar e-mail para uma entidade de advogados americana, mas até o momento ela não recebeu nenhum retorno. Segundo Karla, a promessa não concretizada acabou prejudicando a campanha realizada nas redes sociais. “A partir do momento que disseram que eu teria um advogado, as pessoas pensaram que tudo estava resolvido. Mas a situação é muito séria. Muitos também não entendem porque eu não tenho um advogado gratuito, mas é muito difícil de conseguir e eu continuo sem defesa', afirmou.

DOAÇÕES - Contribuições podem ser feitas no site http://igg.me/p/653510, ou por meio de depósito na conta da mãe de Karla, Kátia Sarmento Martins de Albuquerque (Banco Bradesco, agência 3201-8 / CC 0174551-4). Uma petição online para recolher assinaturas e pressionar a justiça americana também foi criada e hoje conta com cerca de 14 mil nomes.

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