Ônibus e metrô

Cinco perguntas e respostas sobre o transporte coletivo na RMR

Publicado em 03/06/2015 , às 16 h58

Amanda Miranda Do JC Trânsito

Linhas de ônibus "comuns" continuarão sem ar-condicionado / Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Linhas de ônibus "comuns" continuarão sem ar-condicionado Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Não são poucos os questionamentos dos usuários de transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife (RMR), onde o sistema é tão falho. Atrasos, ausência de articulação entre os modais, investimento de dinheiro público sem retorno para a população. Esses são só alguns dos problemas que geram dúvidas.

O JC Trânsito procurou o Grande Recife Consórcio de Transportes e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), além de matérias publicadas pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) abordando o tema, para responder a cinco delas.


Quem está em Casa Forte, na Zona Norte, e quer chegar a Boa Viagem, na Zona Sul, realmente não tem como pegar só um ônibus, o que é motivo de muita reclamação.

O Grande Recife Consórcio de Transportes alega que os passageiros devem recorrer aos terminais integrados para não pagar mais de uma passagem nesses trajetos. No entanto, os próprios terminais também são alvo da indignação dos usuários. Filas grandes e ônibus lotados, destacam os passageiros, fazem parte da rotina dos TIs e dos veículos que circulam por esses lugares.

A partir deste sábado (6), será possível ir do Parque da Macaxeira ao Pina, com a linha opcional Apipucos/RioMar, mas isso é insuficiente, ao custo R$ 4,60.

Uma rota possível para o exemplo entre Casa Forte e Boa Viagem é pegar a linha Alto Santa Isabel na Avenida 17 de Agosto, descer no Derby e pegar a Aeroporto/Tacaruna - outras podem ser conferidas em aplicativos como o Moovit. Com sorte e sem engarrafamento, o que é muito difícil, o trajeto é feito em 40 minutos.


O Grande Recife Consórcio afirma que 194 facilitadores de acesso ficam nos terminais integrados de maior demanda, como Barro, na Zona Oeste, e Macaxeira, na Zona Norte. Policiais militares também ficam distribuídos por esses terminais nos horários de pico. Porém, essas ações não têm resultados efetivos.

Nesse caso, no entanto, os próprios passageiros podem contribuir respeitando as filas. Cerca de 250 mil pessoas passam por esses TIs.


Três anos após o fracasso para informar aos usuários o horário dos ônibus na Região Metropolitana, o Grande Recife Consórcio está em fase de testes para instalar um novo sistema. A promessa é de que ele esteja disponível para os passageiros até o fim do ano, através de painéis de LCD instalados nos terminais, aplicativo de celular e do site do órgão.

Em 2012, o Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação (Simop) durou 18 dias, até apresentar falhas e o Governo de Pernambuco rescindir o contrato de R$ 20 milhões com as empresas Cittati, Midiavox, Cercap.

A nova licitação, vencida no início do ano passado pela espanhola Etra, responsável pelo sistema de ônibus de Bogotá, na Colômbia, duplicou o investimento, que agora é de R$ 40,2 milhões. O Grande Recife Consórcio alega que o monitoramento agora será maior, permitindo, além da prestação do serviço aos usuários, o planejamento e a fiscalização dos ônibus.

A ideia é que esse sistema possa verificar as 26 mil viagens realizadas pelos três mil ônibus que circulam na RMR, coibindo práticas irregulares, como o hábito que alguns motoristas têm de andar em comboio. Além disso, em casos de quebra dos veículos, por exemplo, será possível acionar a empresa imediatamente. Resta saber se agora vai sair do papel e, principalmente, durar.


A licitação para os novos veículos prevê alguns deles com ar-condicionado: os BRTs (Bus Rapid Transit); os do tipo padrão especial, como o que circula na linha Aeroporto (Opcional); e os ônibus articulados de linhas troncais, que são aquelas que vão dos terminais para o Centro.

O processo foi dividido em sete lotes, dos quais apenas o 1 e o 2 foram licitados, assinados e já estão nas ruas. Esses grupos correspondem aos corredores Norte/Sul e Leste/Oeste do BRT, além de ônibus que trafegam em Olinda, na Região Metropolitana, e de linhas alimentadoras, que trazem os usuários do subúrbio até o terminal integrado mais próximo. Deles, apenas os BRTs são refrigerados.

Os contratos de 3 a 7, que compreendem corredores como as avenidas Norte, Abdias de Carvalho e Domingos Ferreira, ainda estão sendo revistos antes de serem assinados. As alterações deverão passar pela ampliação do prazo para aquisição de parte da frota de ônibus com ar-condicionado e pela flexibilização das exigências dos modelos de veículos que serão adquiridos.

Não há previsão de quando esses lotes chegarão às ruas - os poucos veículos que estão sendo vistos com ar-condicionado, entre eles alguns das linhas Avenida Norte (Macaxeira) fazem parte da renovação de frota feita de forma independente pelas empresas, se antecipando à licitação.


Completando 30 anos com apenas três linhas, que não chegam a esses lugares, o metrô não tem previsão de expansão. Por enquanto, continuará ligando apenas a área central do Recife a Camaragibe e a Jaboatão dos Guararapes na linha Centro, que tem dois ramais; na Sul, o Largo da Paz, na Zona Oeste, a Cajueiro Seco em Jaboatão; e, na Diesel, essa estação ao Cabo de Santo Agostinho.

No entanto, segundo a CBTU, este é um desejo da empresa, que tem algumas propostas. No Recife, novas linhas sairiam da Avenida Agamenon Magalhães até a PE-15, na Avenida Norte, do aeroporto até o Terminal Integrado da Macaxeira e do Largo da Paz até a sede da prefeitura. Há ainda a ideia de uma linha para Suape e outra passando em São Lourenço da Mata.

Em nota, a Companhia afirmou que, para fazer os estudos e ampliar o modal, é preciso alinhar esses planos aos do Governo de Pernambuco, que forneceria recursos e infraestrutura para isso. O Estado e a União passam, entretanto, por um período de redução nos investimentos - e os recursos não foram disponibilizados antes também.

Apesar de mais rápido e confortável que o sistema de ônibus, enquanto eles atendem 1,7 milhão passageiros por dia, os trens transportam 400 mil - 260 mil na Centro e 120 mil na Sul, as duas maiores. Veja o mapa dos locais atendidos:

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