Maior seca

Três maiores barragens do interior de Pernambuco estão em colapso

Publicado em 23/10/2015, às 09h56 | Atualizado em 23/10/2015, às 12h00

Jaqueline AlmeidaDo NE10 Interior

Sistema Jucazinho abastece 12 municípios do Agreste / Foto: Reprodução/TV Jornal.

Sistema Jucazinho abastece 12 municípios do Agreste Foto: Reprodução/TV Jornal.

Pernambuco enfrenta a maior seca dos últimos 50 anos. As três maiores barragens do Interior do Estado estão em colapso de acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), responsável pelo monitoramento dos reservatórios. Juntas, essas barragens abastecem mais de um milhão de pessoas. A maior delas, a Barragem Engenheiro Francisco Sabóia, conhecida como Poço da Cruz, em Ibimirim, no Sertão, está apenas com 4,5% dos 504 milhões de metros cúbicos que tem capacidade.

O reservatório de Entremontes, localizado em Parnamirim, também no Sertão, e segundo maior do Interior, tem somente ocupados 4,07% da capacidade de 339 mil/m³. Já a maior barragem do Agreste, o Sistema Jucazinho, localizado em Surubim, está com apenas 2,5% da capacidade, que é de 307 mil/m³. O reservatório abastecia 15 municípios, mas, devido à falta de água, três cidades (Caruaru, Gravatá e Bezerros) foram transferidas para o Sistema do Prata.

Réguas de medição da água estão expostas

Réguas de medição da água estão expostas Foto: Reprodução/TV Jornal.

De acordo com a gerente regional da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Nyadja Menezes, a situação de Jucazinho é considerada crítica. “Nós agora só abastecemos 12 cidades com a água deste reservatório e todas elas passam por um duro racionamento de água. Santa Cruz do Capibaribe, por exemplo, passa 2 dias com água e 28 sem. A situação é muito ruim. E, se não chover, essas cidades terão que ser abastecidas exclusivamente com caminhões-pipas”.

Empresária investiu em dessalinizador

Empresária investiu em dessalinizador Foto: Clarice Carvalho/Arquivo Pessoal.

A empresária Vera Lúcia Carvalho, dona de uma fábrica de biquínis em Santa Cruz do Capibaribe, investiu na perfuração de poços para ter água. “Cavamos dois poços no quintal de casa. Um de 60 metros de profundidade e outro de 200 metros. São três, quatro mil litros de água por hora. Gastei mais de R$ 20 mil na perfuração. A água é usada para tudo. Comprei também um dessalinizador para purificar a água. Gastei com tudo quase R$ 50 mil, mas agora estou tranquila”, conta.

A maior cidade do Agreste está sendo abastecida pelo Sistema do Prata. Caruaru tem cerca de 350 mil habitantes e enfrenta um calendário de rodízio de água. Alguns bairros passam até oito dias sem receber água nas torneiras, outros recebem apenas por caminhão-pipa. A situação preocupa os moradores. “A gente não pode fazer nada. Gasta tudo que tem para comprar água e se manter. A vontade é que comece a chover para a vida melhorar”, diz Maria Souza, moradora do bairro Vassoural.

Nyadja Menezes afirmou ainda que, caso não chova, a Barragem de Jucazinho deixará de abastecer os municípios em janeiro. “Ano passado, tivemos dois dias de chuva em novembro que dobraram a quantidade de água no reservatório. Caso esta chuva ocorra, poderemos ficar com 5% da capacidade e conseguir abastecer os municípios por mais tempo. Se a chuva não ocorrer, a situação será de colapso total”, explica.

FUTURO - Uma das obras que pode melhorar o abastecimento do Agreste é a ligação do Sistema Jucazinho com o Rio Piranji, localizado em Catende, na Zona da Mata Sul. A obra, orçada em R$ 60 milhões, tem 23 quilômetros de extensão e deve contar com duas elevatórias. “Com a transposição do Piranji, serão acrescentados cerca de 400 litros por segundo para Caruaru. A obra está em fase de projeto e deve estar pronta no segundo semestre de 2016”, afirma a gerente da Compesa.

Já no Sertão, os moradores ainda aguardam a conclusão das obras da Transposição do São Fransico, agora prevista para o segundo semestre de 2017. As estações elevatórias construídas devem levar água para mais de dois milhões de pessoas na região. 

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