Epidemia

Nova virose seria um tipo mais fraco da dengue, alertam médicos

Publicado em 07/04/2015 , às 18 h06

Marília Banholzer Do NE10

Combate às larvas do Aedes Aegypti ainda é a melhor forma de prevenção da dengue  / Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Combate às larvas do Aedes Aegypti ainda é a melhor forma de prevenção da dengue Foto: Fernando da Hora/JC Imagem

Nos últimos dias, os pernambucanos têm se surpreendido com o que seria uma virose com sintomas comuns à dengue: pintinhas vermelhas, dores articulares e muita coceira. No entanto, sem outros sinais como febre alta, mal estar estomacal (náuseas e vômito), ou dores nos olhos. Mas de acordo com o infectologista Vicente Vaz, que atua no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), em Santo Amaro, área central do Recife, a "nova" doença é, na verdade, uma variação da dengue. "É possível que seja do subtipo 4 e muito mais amena do que a forma clássica. Hoje as pessoas apresentam melhora clínica em menos de uma semana, enquanto a dengue que nós conhecemos deixa o paciente debilitado por até 15 dias", explicou o especialista.

A "falta" de alguns sintomas clássicos tem confundido profissionais e deixado pacientes em dúvida com a melhor forma de tratar a suposta nova virose. "Na verdade não há um consenso entre os médicos. Mas acredito que seja tudo dengue. Os vírus são mutantes e a população também, por isso, a doença não se manifesta da mesma forma em todos", avaliou Vicente Vaz. O médico alerta ainda que na nova apresentação da dengue, as pintinhas vermelhas aparecem logo no início do mal-estar. Antes, as manchas só eram registradas a partir do quinto dia da doença.



Para o infectologista, um dos principais fatores que o faz acreditar na reformulação da dengue ao invés de uma nova virose é o período de incidência da doença. "Os casos começaram a surgir em grande número após um período das chuvas, além de Pernambuco estar atravessando um novo surto de dengue, uma verdadeira epidemia. Tenho uma colega pediatra que está doente e me ligou para confirmar se está mesmo com dengue porque não desenvolveu todos os sintomas. Eu estou tratando dela como paciente de dengue mesmo", ressaltou Vicente Vaz.

Nessa segunda-feira (7), inclusive, a Secretaria de Saúde de Pernambuco divulgou um novo boletim epidemiológico da dengue, que revelou que de janeiro a março deste ano 14.346 pessoas, em 157 municípios, adoeceram com sinais da enfermidade transmitida pelo Aedes Aegypti. Desse total de casos, 2.168 já estão com diagnóstico confirmado através de exames laboratoriais. Esses dados representam um aumento de 368,67% em relação mesmo período do ano passado, quando 3.061 pessoas contraíram dengue. Dez óbitos foram notificados e estão em investigação.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, a orientação repassada aos médicos é de que qualquer pessoa que apareça com dois ou mais sintomas da dengue deve ser registrado e tratado como paciente de dengue. Orientações do Ministério da Saúde exigem que, em tempos de epidemia, exames laboratoriais devem ser feitos em 20% da população como forma de amostragem dos casos registrados. Os exames devem ser feitos entre os primeiros cinco e dez dias da doença.

Manchas vermelhas são os primeiros sintomas da

Manchas vermelhas são os primeiros sintomas da "nova dengue"Foto: NE10

Na capital pernambucana, onde mais de 4 mil pessoas já foram registradas com suspeita de dengue, a médica sanitarista Zelma Pessoa, gerente-geral de Políticas Estratégicas da Secretaria de Saúde do Recife, também acredita numa nova apresentação da dengue. "O certo é notificar. Até que se prove o contrário, não é uma virose qualquer. Os casos estão mais leves, muita gente relata não ter febre, apenas um suor noturno", destacou a sanitarista. Ela ainda completa: "Não dá para aliviar nos cuidados. Hoje você está bem e amanhã tem uma piora que pode trazer sérios problemas. A dengue é uma doença muito dinâmica, mas os tratamento é o mesmo. Repouso, hidratação e paracetamol se estiver com dor", avaliou Zelma Pessoa.

A gerente-geral da Secretaria de Saúde do Recife também pede a colaboração da população no combate aos focos do Aedes Aegypti. "Desde o ano passado que temos intensificado a visita domiciliar para identificar os focos, mas nós apelamos para que as pessoas nos deixem entrar nas casas, pois em 90% dos casos o foco do mosquito é intra domiciliar", informou Zelma Pessoa. O uso dos chamados fumacês foi suspenso pois o inseticida era nocivo ao ambiente e causava contaminação do ar, afetando plantas e causava crises de asma, por exemplo.

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