Difusão

Sobre quadros e computadores

Publicado em 01/11/2018, às 07h43 | Atualizado em 01/11/2018, às 07h52

Por Marcelo Sampaio de Alencar

Computadores ficaram fisicamente menores, apesar de mais poderosos / Foto: Pixabay

Computadores ficaram fisicamente menores, apesar de mais poderosos Foto: Pixabay

Ao apreciar uma exposição de arte, os turistas ou compradores geralmente não atentam para o fato que um quadro é composto basicamente de madeira ou outro substrato, alguma ferragem, um pouco de cola, tecido ou papel, e tinta, que formam sua parte física ou material, com valor agregado geralmente baixo.

Por outro lado, o quadro tipicamente revela imagens, geradas a partir de conceitos abstratos, de ideias produzidas pela capacidade criativa do pintor, que definem seu conteúdo imaterial ou virtual, com o poder de agregar muito valor à obra.

Nas áreas de computação e de comunicações, algumas décadas se passaram até que o virtual e o material fossem propriamente separados, e tivessem seus valores precificados como na arte.

No início da computação, as máquinas da época se constituíam basicamente de hardware, ferragens aquecidas por válvulas, com custo tão elevado que apenas os governos podiam desenvolver ou adquirir.

Os computadores eram, de forma quase surrealista, programados em hardware, com a troca de fios entre as válvulas, para a execução de determinada função, como o cálculo balístico, a quebra de um código criptográfico ou a a determinação da trajetória de um foguete.

Mesmo quando os computadores se tornaram comerciais, raramente eram vendidos. Os grandes fabricantes, ainda poucos, como a International Business Machines (IBM), apenas alugavam suas máquinas, um procedimento conhecido como leasing, porque o custo do hardware era colossal.

Software x hardware

O software era mínimo nessa máquina gigantesca, conhecida como mainframe, que, em tradução literal, quer dizer quadro principal. Era composto por um sistema operacional, para controle das funções mais básicas do computador, como entrada e saída de dados, ou para a interpretação de comandos.

Havia poucos programas aplicativos, como Cobol, para atividades de negócios, comerciais ou empresariais, e Fortran, para trabalhos científicos e de engenharia.

Com o tempo, os sistemas operacionais se tornaram mais elaborados, surgiram o UNIX e o Windows, e novos programas de aplicação foram desenvolvidos. Os computadores ficaram fisicamente menores, apesar de mais poderosos, e já podiam ser comprados por usuários comuns, em virtude da concorrência produzida pela multiplicidade de fabricantes.

Então, como se o mercado da arte tivesse começado a influenciar a computação, os programas começaram a se tornar produtos mais bem acabados, e a ficar bem mais caros. Os aplicativos passaram a ter tratamento artístico, e logo a forma passou a rivalizar com a função, na mente dos consumidores.

Alguns programas, ditos sofisticados, se tornaram tão caros, que nem são mais vendidos pelas empresas, mas apenas licenciados, ou seja, alugados por determinado período. O hardware, em comparação, ficou bem mais barato, assim como o material usado para compor um quadro.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias computadores

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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