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A estupidez contra a ciência

Publicado em 01/03/2018, às 16h05 | Atualizado em 01/03/2018, às 16h13

Por Marcelo Sampaio de Alencar

Até hoje, teoria de Darwin sofre interpretações variadas, mas pouco precisas / Foto: reprodução

Até hoje, teoria de Darwin sofre interpretações variadas, mas pouco precisas Foto: reprodução

A teoria da evolução, desenvolvida pelo naturalista britânico Charles Darwin, após sua expedição em torno da Terra no navio Beagle, e publicada em formato de livro, em 1859, é pouco entendida até hoje.

Economistas com perfil neo-liberal, por exemplo, confundem a teoria da evolução, e também interpretam mal o filósofo e economista escocês Adam Smith, ao afirmar que a seleção natural acabaria por produzir as melhores empresas, e o mercado não regulado atingiria os menores preços.

Em várias áreas da ciência, a teoria de Darwin sofre interpretações variadas, mas pouco precisas. Porque, de fato, Darwin nunca afirmou que evolução significa melhoria, ou aprimoramento. Os seres humanos não são um projeto acabado, mas continuam a evoluir, em função das condições ambientais. Porém, não necessariamente para melhor.

Ciência: Evolução x melhoria

Os casos recentes contra professores e cientistas, exemplificados na denúncia contra o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Prof. Luiz Carlos Cancellier, que levou a sua morte, e na intimação do Prof. Emérito Elisaldo Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para depor na polícia, são emblemáticos.

Em eras diversas e países distintos, os sábios sempre foram respeitados. Jean-Baptiste Joseph Fourier, grande matemático da França de Napoleão Bonaparte, teve sua vida poupada, quando Bonaparte retornou ao poder, mesmo tendo se declarado seu inimigo, para preservar sua própria vida, no reinado de terror que seguiu a prisão de Bonaparte.

Formado em medicina pela Unifesp em 1957, condecorado duas vezes no Palácio do Planalto, membro da Expert Advisory Panel on Drug Dependence and Alcohol, o Prof. Carlini foi intimado por ter coordenado o 5º Simpósio Internacional Maconha - Outros Saberes, realizado em 2017, em São Paulo.

Isso provocou reações imediatas na academia. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) publicaram um manifesto em defesa do Prof. Carlini, e perto de 40 sociedades científicas do País declararam apoio ao manifesto, além de dezenas de milhares de pesquisadores.

O manifesto afirma que o Prof. Carlini é um cientista premiado internacionalmente, tendo desenvolvido pesquisas pioneiras que caracterizaram a ação anticonvulsivante da maconha, e suas descobertas permitiram a formulação de medicamentos utilizados em diversos países para tratar doenças como epilepsia e esclerose múltipla.

Com a saúde debilitada pelo câncer, o pesquisador está abalado, mas segue com sua pesquisa. Seus algozes, a polícia e o ministério público, seguem também com seu trabalho infame, a demonstrar, de maneira cabal, que a evolução não melhora o ser humano, mas apenas o adapta, no caso atual, ao ambiente de estupidez que o golpe de estado provocou no País.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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  • De: Marvania- 02/03/2018 14:16 Pura estupidez mesmo... Infelizmente ... brasil(assim mesmo com minúsculas)
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