Educação

Simpósio discute os desafios de educar crianças com microcefalia

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 07/03/2017 às 20:16
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Em breve os bebês que hoje têm microcefalia estarão na idade escolar e precisarão de mais atenção especial / Foto: JC Imagem

Em breve os bebês que hoje têm microcefalia estarão na idade escolar e precisarão de mais atenção especial Foto: JC Imagem


O desafio de educar a criança com microcefalia será a principal discussão do 1º Simpósio de Educação Inclusiva, promovido pelo Instituto Superior de Economia e Administração (Isead),  através da Universidade UVA em Pernambuco. O evento acontece no dia 18 de março, no auditório do IMIP, das 8h às 12h. É aberto ao público em geral, mas tem como alvo principal professores, psicólogos, psicopedagogos, pais, estudantes de pedagogia, psicologia e profissionais de áreas afins.

A Microcefalia na Educação é a palestra que será ministrada pela professora, psicóloga e consultora em psicologia educacional Maria de Fátima Cristina Casanova.  Especialista em avaliação psicológica, Casanova lembra que, como em 90% dos casos a microcefalia está associada a um atraso no desenvolvimento neurológico, psíquico ou motor das crianças, a introdução no processo educativo acontece de forma mais lenta.

"Por isso, exige muito mais esforço não só de professores, mas de todos os profissionais envolvidos na educação dessas crianças. É um grande desafio que todos terão pela frente. Em dois ou quatro anos, quando esses bebês estarão na idade escolar, precisarão encontrar escolas preparadas para recebê-los. Seja com professores aptos à educação inclusiva ou com infraestrutura adequada para as necessidades deles, que são e serão muitas", alerta.
Evento é promovido pela Universidade UVA e acontecerá no auditório do Imip

Evento é promovido pela Universidade UVA e acontecerá no auditório do ImipFoto: JC Imagem


Vale lembrar que as crianças com microcefalia apresentam déficits cognitivo, auditivo e motores, problemas visuais, atraso no desenvolvimento e até epilepsia. "As escolas privadas têm mais condições de se prepararem para esse desafio, mas as escolas públicas enfrentarão grandes obstáculos, principalmente financeiros. E a maioria desses bebês com microcefalia estará exatamente na rede pública de ensino. Por isso temos que começar a pensar em estratégias imediatamente", ensina a psicóloga.

SURGIMENTO

Em novembro de 2015, o Brasil declarou estado de emergência em saúde pública após o diagnóstico de 141 casos de microcefalia em Pernambuco em menos de um ano. Esses números são 10 vezes maiores do que os registrados no ano anterior.

O Ministério da Saúde, após diversas análises, constatou que existe relação direta entre a zika e o desenvolvimento da microcefalia. Essa teoria foi levantada porque algumas das mãe relataram o surgimento de manchas no corpo, coceira e febre durante a gestação, sintomas que sugeriam a infecção pelo vírus zika.

Após a descoberta, recomendou-se que mulheres grávidas tenham cuidado redobrado e protejam-se do mosquito Aedes aegypti, utilizando repelentes e roupas de manga longa e calça. A microcefalia é uma anomalia em que se observa uma redução do perímetro cefálico, que fica bem abaixo da média da população para determinada idade e sexo. Normalmente são enquadrados nesse diagnóstico recém-nascidos com perímetro da cabeça inferior a 33 centímetros.

Outras duas palestras serão ministradas no 1º Simpósio de Educação Inclusiva. Entendendo o Autismo Infantil é o tema que será abordado pela professora de educação inclusiva da UFRPE Ana Paula de Avelar. E a Educação Inclusiva - Uma Perspectiva Integrada será a palestra ministrada pela mestra e coordenadora de práticas inclusivas do Colégio Apoio, Maria Cristina Dantas Antonino.

As inscrições podem ser feitas no goo.gl/i2YE5D 

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