Pernambucanidade

Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

Publicado em 05/03/2017 , às 20 h09

Ingrid Cordeiro NE10

"Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte"

A canção acima, entoada pelo pernambucano Lenine, virou quase um hino informal do Estado. Cantada à capela e a plenos pulmões, traduz bem o orgulho presente nos habitantes desta terra.

Chega a ser surpreendente para quem nos visita, e até para quem é da terrinha, observar o efeito que essa e tantas outras canções têm no povo pernambucano. A música é só um dos elementos que fazem de quem mora ou adota o Estado externar o tão conhecido orgulho de ser pernambucano.

É bem verdade que nem tudo por aqui são flores, mas o Estado, também conhecido como "Leão do Norte", traz consigo um sentimento singular quando a questão é amor e identificação pelo lugar.


Eu sou mameluco, sou de Casa Forte Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte Lenine

Amanda Rocha, estudante de Design, ama tanto a terra natal que até a escolheu como tema para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “O meu trabalho foi baseado na minha relação com o Recife, que é a cidade onde moro. A partir disso, fiz fotos do bairro do Recife e as analisei”, explica com orgulho a estudante.
 
Para Amanda, o orgulho pelo Estado a inspira em suas criações. “Em todo trabalho que eu faço, tento remeter Pernambuco de alguma forma; sempre gostei de valorizar a nossa cultura”, diz.

Muito desse "orgulho pernambucano" se justifica pelo histórico combatente do povo pernambucano, como no caso da Revolução de 1817, que completa 200 anos nesta segunda-feira (6). (veja no vídeo acima) Para Amanda, a história tem muito a ver com o apreço pelo Estado. “Sempre fomos um povo que luta pela nossa cultura, nossas raízes, nosso sotaque que é lindo e, por tudo o que a gente passou na história, somos muito guerreiros”, comenta.

De acordo com o sociólogo José Afonso, nem tudo são flores e a criação da pernambucanidade tem um sentido muito mais profundo. "O passado mais forte e mitologico é uma criação do ponto de vista da compensação, já que o Estado teve um passado econômico diferente e mais próspero do que vemos hoje", explica.

Para Afonso, manifestações culturais populares e que questionam o já conhecido "Orgulho Pernambucano" são importantes. "Há experiências mais produtivas de valorização como o Manguebeat, que trazia um questionamento sobre o 'Ser Pernambucano', temos que problematizar e não só enaltecer", diz o sociólogo.

Muito desse "orgulho pernambucano" se justifica pelo histórico combatente do povo pernambucano, como no caso da Revolução de 1817, que completa 200 anos nesta segunda-feira (6). / Foto: Reprodução / Miguel / NE10

Muito desse "orgulho pernambucano" se justifica pelo histórico combatente do povo pernambucano, como no caso da Revolução de 1817, que completa 200 anos nesta segunda-feira (6). Foto: Reprodução / Miguel / NE10

Ser turista na própria terra também é motivo para se orgulhar

A história de Pernambuco sem dúvidas é cheia de reviravoltas, lutas e tentativa de reconhecimento. Logo, a relação com o lugar é fortalecida pela vivência cultural e artística com o lugar onde se vive.

Para Philipe Muniz, técnico em Química Industrial, o amor pelo Estado cresceu mais depois que ele resolveu desbravar o local onde mora. "Eu estou sempre procurando me apropriar do lugar, até para quando alguém de fora chegar aqui saber que eu conheço a história e cultura de onde moro”, diz Muniz.

Uma visita aos mercados, um passeio a algum museu, tudo isso levou Philipe a ter uma identificação maior com Pernambuco. “Todas as minhas diversões têm a ver de algum jeito com a cultura pernambucana, como, por exemplo, passear por Olinda em um fim de tarde”, explica Philipe.

Um mito que já faz parte da história popular pernambucana, por exemplo, é a megalomania. Tudo no Estado é o maior, o mais incrível. Para Philipe, também é um jeito de demonstrar o amor por Pernambuco. “Estando errado ou não sempre defendo Pernambuco. Se vem algum turista, a primeira coisa que faço é exaltar que aqui tem sempre as maiores coisas do mundo”, brinca o técnico. “Pergunto, inclusive,  se no local onde o turista vive tem a maior avenida em linha reta do mundo”, complementa Muniz, em referência a Avenida Caxangá, na Zona Oeste do Recife.

Um interior para se orgulhar

Mas, nem só da Região Metropolitana vive o orgulho de ser Pernambucano. Para o primo de Philipe, Mateus Valdevino que é estudante de Engenharia Civil, o amor pela terrinha também alcança o interior. “Toda a minha família é do Agreste pernambucano e, por influência deles, eu tenho uma ligação com essa parte mais bucólica do Estado”, explica Valdevino.

São inúmeras as referências do interior de Pernambuco que fazem de quem mora por aqui valorizar muito mais o lugar. “Eu sempre fui muito fã da história do cangaço, que olhando pelo lado bom, mostra bem a força que temos. Na influência musical, é muito prazeroso para a gente ser o Estado do Rei do Baião, por exemplo”, comenta Mateus enquanto cita Maria Bonita, Lampião e Luiz Gonzaga.

Mas é só pernambucano que se orgulha da terrinha?

Itziar Insausti, espanhola casada com pernambucano, não precisou nascer aqui para ter orgulho do Estado. “Tenho uma bela lembrança da primeira vez que vim ao Estado. Me apaixonei assim que vi o Marco Zero, achei maravilhoso aquelas cores e os prédios”, diz Insausti.
 
Ela conheceu o marido na Espanha, mas passou dois anos visitando o Recife para encontrar com o amado. “Ele adora a sua terra, apesar de todos os problemas, e acho que isso foi o que me fez amar Pernambuco também”, explica a espanhola, que eternizou o amor pelo Estado com uma tatuagem inspirada no Marco Zero.
 
Para Itziar, Pernambuco e Espanha têm tudo a ver, o que ajudou a criar uma relação mais íntima com a terra dos altos coqueiros. “Temos uma identidade cultural muito forte... mesmo sendo um país pequeno, temos muitas tradições e elementos culturais, e as pessoas de cada região sentem uma forte paixão pela terra na qual nasceram. Imagino que é por isso que adorei também Pernambuco e os pernambucanos, pois achei que vocês  são gente orgulhosa da sua cultura que não se sentem pequenos nem se deixam influenciar por outros... são autênticos mesmo!”, comentou.

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Orgulho de Ser Pernambucano

Bandeira de Pernambuco no Marco Zero do Recife
Crédito: Amanda Rocha / Especial para o NE10

Orgulho de Ser Pernambucano

Philipe Muniz curtindo o Carnaval recifense com os amigos e, claro, a bandeira de Pernambuco.
Crédito: Philipe Muniz / Arquivo Pessoal

Orgulho de Ser Pernambucano

Philipe Muniz caminhando pela Rua do Bom Jesus, uma das mais famosas do Recife.
Crédito: Philipe Muniz / Arquivo Pessoal

Orgulho de Ser Pernambucano

Cidade de Sanharó pelo olhar do orgulhoso Mateus Valdevino.
Crédito: Mateus Valdevino/Arquivo Pessoal

Orgulho de Ser Pernambucano

Cidade de Sanharó pelo olhar do orgulhoso Mateus Valdevino.
Crédito: Mateus Valdevino/Arquivo Pessoal

Orgulho de Ser Pernambucano

Fotografias do Trabalho de Conclusão de Curso de Amanda Rocha.
Crédito: Amanda Rocha / Direitos Reservados

Orgulho de Ser Pernambucano

Fotografias do Trabalho de Conclusão de Curso de Amanda Rocha.
Crédito: Amanda Rocha / Direitos Reservados

Orgulho de Ser Pernambucano

Fotografias do Trabalho de Conclusão de Curso de Amanda Rocha.
Crédito: Amanda Rocha / Direitos Reservados

Orgulho de Ser Pernambucano

Fotografias do Trabalho de Conclusão de Curso de Amanda Rocha.
Crédito: Amanda Rocha / Direitos Reservados

Orgulho de Ser Pernambucano

Fotografias do Trabalho de Conclusão de Curso de Amanda Rocha.
Crédito: Amanda Rocha / Direitos Reservados

Orgulho de Ser Pernambucano

Tatuagem inspirada no Marco Zero Recifense, da espanhola Itziar Insausti.
Crédito: Itziar Insausti/ Arquivo Pessoal

Orgulho de Ser Pernambucano

Mateus Valdevino com a namorada em um restaurante típico no interior de Pernambuco.
Crédito:

Orgulho de Ser Pernambucano

Pesqueira, cidade do Agreste pernambucano, pelas lentes de Mateus Valdevino.
Crédito: Mateus Valdevino/ Arquivo Pessoal

É tanta autenticidade que tem gente até querendo se separar

Justamente pelo passado de lutas, e exatamente 200 anos depois da Revolução que fez Pernambuco se separar de Portugal, um grupo de pernambucanos decidiu se organizar a favor da separação do Estado.

Os representantes, intitulados Grupo de Estudo e Avaliação Pernambuco Independente, ou só Geapi, é encabeçado por Jonas Correia e vê também na história pernambucana, além da crise econômica e política do Brasil, um incentivo para a separação.

“O movimento separatista de agora é  quase que 100% inspirado na Revolução Pernambucana de 1817. No nosso ponto de vista, a revolução é a expressão máxima do ápice da liberdade pernambucana”, comenta Jonas que acrescenta: “É uma inspiração forte para a gente acreditar que como já fomos um país, podemos ser de novo”.

» LEIA MAIS: Grupo quer separação de Pernambuco do Brasil, criando nova República

O Geapi, de acordo com Jonas, não pretende atingir a independência por meio das armas como em 1817. “A gente acredita que é possível ser independente de forma pacífica , só precisamos do apoio popular, pois sem ele não é possível", explica Correia.

No entanto, a Constituição diz em seu primeiro artigo que a república brasileira só existe porque é formada pela “união indissolúvel dos Estados e Municípios”. Já no artigo 34, a constituição diz que a manutenção da união nacional é uma das justificativas que permite a intervenção da União nos 26 estados.

Em contraponto ao que argumenta a Constituição, Jonas diz que o grupo trabalha dentro da lei. “Toda constituição no mundo vai proibir, mas nem por isso houve empecilhos quando algum território quis se separar a exemplo do Sudão do Sul e outros, logo não existe constituição que passe por cima da voz do povo", argumenta Correia.

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  • De: EDJAILSON XAVIER CORREIA- 06/03/2017 19:12 A Música Leão do Norte tem dois compositores, um é o Lenine e o Poeta da Música Paulo Cesar Pinheiro, chamado de O Poeta da Esperança, um dos maiores Compositores do Brasil, e, conhecedor profundo de nossa História Pernambucana. Eis a Letra completa de LEÃO DO NORTE ! Leão do norte Paulo César Pinheiro Sou o coração do folclore nordestino Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá Sou o boneco do Mestre Vitalino Dançando uma ciranda em Itamaracá Eu sou um verso de Carlos Pena Filho Num frevo de Capiba Ao som da orquestra armorial Sou Capibaribe Num livro de João Cabral Sou mamulengo de São Bento do Una Vindo no baque solto de Maracatu Eu sou um alto de Ariano Suassuna No meio da Feira de Caruaru Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta Levando a flor da lira Pra nova Jerusalém Sou Luiz Gonzaga E eu sou mangue também Eu sou mameluco, sou de Casa Forte Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte Sou Macambira de Joaquim Cardoso Banda de Pifo no meio do Canavial Na noite dos tambores silenciosos Sou a calunga revelando o Carnaval Sou a folia que desce lá de Olinda O homem da meia-noite puxando esse cordão Sou jangadeiro na festa de Jaboatão Eu sou mameluco... Tamanho
  • De: EDJAILSON XAVIER CORREIA- 06/03/2017 17:18 Para situar a reportagem e por dever de justiça o Poema dessa música que os pernambucanos cantam é de um Carioca, o Poeta e Compositor Paulo Cesar Pinheiro !!!

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