Questão de pele

O que há de novo em melasma segundo o Meeting AAD 2018?

Publicado em 28/02/2018, às 08h26 | Atualizado em 28/02/2018, às 08h26

Por Claudia Magalhães

Paciente com melasma necessita sempre do acompanhamento de um dermatologista / Foto: reprodução

Paciente com melasma necessita sempre do acompanhamento de um dermatologista Foto: reprodução

 O melasma é uma doença dermatológica que afeta principalmente mulheres em torno dos 30 anos de idade até o período da menopausa.

Ele é uma doença crônica, caracterizado por manchas acastanhadas que esboçam curvas em várias regiões da face, tais como, região frontal, dorso do nariz, bochechas, buço e queixo. Ele normalmente poupa a área dos olhos, ponta nasal e os sulcos nasogenianos.

Por ser uma patologia que incomoda muito os pacientes afetados, o melasma é constantemente tema de simpósios, tal como o que ocorreu durante o último Meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD), no mês de fevereiro de 2018, em San Diego - Califórnia.

10 novidades relevantes sobre o melasma:

1 – As luzes ultravioletas (UV) provenientes das radiações solares são consideradas o estímulo “Número 1” para o desencadeamento e/ou piora das manchas do melasma;

2 – Todas as luzes visíveis, entre 400 e 700mn são capazes de estimular o melasma. Estas mesmas luzes são facilmente encontradas no nosso dia-a-dia, como por exemplo nos aparelhos celulares, tablets, lep tops, luminárias ou quaisquer tipos de luzes que estejam bastante próximas do nosso rosto;

3 – Os protetores solares com cor, que contenham na sua formulação o Óxido de Zinco, conferem maior proteção à radiação UV assim como às luzes visíveis que atuam negativamente nas lesões do melasma;

4 – As mulheres portadoras do melasma podem e devem utilizar os filtros solares com cor indicados no item 3, além dos seus outros itens de maquiagem tais como as bases, os pós compactos e os blushes, que formam uma verdadeira barreira de proteção, não somente contra as luzes visíveis, mais também contra as luzes UV;

5 – O uso de anticoncepcionais (ACO) não precisa ser interrompido em todas as pacientes portadoras de melasma, especialmente quando o desencadeamento das manchas não apresentar relação direta com o início do uso destas medicações. Desta maneira, deve-se interromper o seu uso, tão somente naquelas pacientes que existir relação do surgimento das manchas com a utilização dos ACOs;

6 – A Hidroquinona ainda é o ativo “PADRÃO OURO” de uso tópico para o tratamento do melasma. Este ativo pode e deve ser associado à Tretinoína e à Dexametasona , em formulações customizadas para cada paciente;

7 – O uso do Ácido Tranexâmico, administrado por via oral, tem apresentado excelência de resultados no tratamento do melasma, segundo vários artigos científicos publicados recentemente. Além do ótimo clareamento que proporciona às manchas , este ativo tem apresentado baixíssimos índices de efeitos colaterais, em especial de fenômenos trombóticos, como eram bastante temidos no passado;

8 – O Ácido Tranexâmico de uso tópico não demonstra resultados tão eficientes, quando comparado ao seu uso por via oral, nem mesmo com o uso da Hidroquinonaaplicada à pele da face manchada pelo Melasma;

9 – Vários tipos de Lasers têm sido utilizados como terapias coadjuvantes do melasma. Quando existem vasos visíveis , indica-se o uso do Pulse Dye Laser (PDL). Também para otimizar os resultados terapêuticos, podemos lançar mão do Laser Toning dos Q-SwitchedLasers, que têm sido usados amplamente em várias partes do mundo, inclusive na Ásia, uma vez por semana, com baixas potências e bons resultados no clareamento e/ou no não-escurecimento das manchas. Vale ressaltar que ostratamentos com Lasers, em uma grande maioria dos casos, não podem ser comparados aos resultados obtidos com os Peelings Químicos e nem ao menos, com os clássicos tratamentos clínicos conservadores;

10 – Para finalizar, podemos afirmar que o tratamento do melasma é algoritmo, ou seja, existem tratamentos agudos, quando as lesões estão no seu início ou quando elas são reativadas. Por outro lado, existem os tratamentos de manutenção das lesões, que serão realizados durante longos períodos da vida do paciente.

Por fim, como conclusão, podemos afirmar que o melasma necessita sempre do acompanhamento de um dermatologista bastante capacitado, considerando que é uma doença cutânea de difícil condução, principalmente nas terapias a serem seguidas , além do mais , esta doença tão comum no Brasil é multifatorial, ou seja, ela apresenta várias facetas, que devem ser avaliadas desde o seu diagnóstico, até o tratamento da fase aguda, bem como dos tratamentos de manutenção, que são obrigatórios.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Questão de pele Cláudia Magalhães Com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) nº 1951, é formada pela Unicamp, onde fez residência médica, é especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e Fellow da Sociedade Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Americana de Laser (ASMLS). Seu número de registro no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) é o 11.769.. recepcao.claudiamagalhaes@gmail.com

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