Doses de Foco

Pequenas atitudes que podem transformar sua vida

Publicado em 15/01/2018, às 11h51 | Atualizado em 15/01/2018, às 12h09

Por Dani Maciel

Eduardo Zugaib é escritor, palestrante, comunicador, provocador e coach / Foto: acervo pessoal

Eduardo Zugaib é escritor, palestrante, comunicador, provocador e coach Foto: acervo pessoal

Hoje inicio um quadro de entrevistas na nossa coluna, provavelmente farei uma entrevista por mês.

O objetivo é convidar profissionais renomados do Brasil e de fora para que possam contribuir para a nossa expansão de visão, trazer ideias novas, um olhar diferente sobre pessoas, trabalho, empresa, gestão, liderança, estratégias e foco. Falando nisso, como está o seu foco?

O Eduardo Zugaib é escritor, palestrante, comunicador, provocador e coach. Viaja o Brasil todo trabalhando líderes de diversas empresas e cantos do nosso País. Fico muito honrada que ela tenha aceitado nos responder de prontidão, mesmo com a agenda tão lotada.

Conheci Eduardo Zugaib via entrevista dele em um programa de TV, depois disso fiz contato em redes sociais. Tínhamos uma amiga em comum, Leyla Nascimento (já, inclusive, falei dela para vocês que facilitou o aprofundamento desse contato), e partir daí não nos perdemos mais de vista. Pude participar com ele como palestrante também do Congresso Nacional de Chefes de Gabinete, liderado pela competentíssima Adriana Toledo, depois pude recebê-lo como palestrante no Congresso da ABRH-AL, que eu coordenava.

Uma marca muito forte do Edu, como vocês irão perceber na entrevista, é seu comprometimento com o propósito de vida, sua força para deixar um legado e sua forma de atuar de maneira ética, engajada, apaixonada e, como dizemos aqui, com sangue nos olhos (brilho nos olhos). Dono de uma determinação inspiradora, é com essa energia que gostaríamos que sua semana comece para não perder o foco.

Aqui na coluna, já falamos da importância de traçarmos meta, objetivos, de que tudo isso esteja conectado ao significado em nossa vida e trajetória de carreira, mas vamos aprofundar com as pequenas atitudes que podem transformar a sua vida, como a dele.

Desfrutem e espero que faça sentido como colaborador, gestor e líder.

1- Como assisti algumas vezes a palestra Revolução do Pouquinho e foi bastante significativa e oportuna para mim, sei que você teve momentos que pensou que não pudesse dar certo, nos conta quando e como você decidiu virar o jogo.

Eduardo Zugaib - A vida sempre trouxe, traz e continuará trazendo estes momentos. A receita para lidar com eles é, acima de tudo, conhecer-se profundamente. Ampliar a consciência não apenas acerca de seus pontos de força, mas principalmente de suas vulnerabilidades. Percebo que é a partir da lucidez em relação à elas que nasce parte de nossa resiliência. A outra parte nasce quando você consegue livrar-se do excesso de atividades e decide colocar foco naquilo que você faz bem e que te faz bem. Isso tem que convergir. Na minha vida, tive três momentos de virada bastante contundentes, que foram quando optei por, ainda jovem, deixar uma carreira no setor público, em uma área que nada tinha a ver comigo, mas que poderia me levar com conforto até uma aposentadoria. Larguei para buscar a Comunicação, que é minha área-mãe.

Depois de quase 10 anos atuando como executivo dessa área, percebi que havia pego uma rota errada no que diz respeito à Liderança, tornando-me um tipo de líder bastante equivocado. O insight que recebi deste fato foi o que podemos chamar de gênese da Revolução do Pouquinho: sabia que precisava mudar, mas não seria da noite para o dia. Então aproveitei as experiências que vieram em seguida em liderança, para fazer a coisa o máximo possível do jeito certo. Em paralelo, lecionando em universidades e escrevendo, fui trilhando o aprendizado que me trouxe até aqui. Outra virada foi quando deixei a carreira executiva para empreender no segmento de desenvolvimento humano. Estas 3 pivotagens foram as mais importantes, porém elas guardam em si muitas outras decisões que foram tomadas, muitas que deram certo, outras tantas que deram errado e ainda outras que não deram em nada, que foram queima de energia à toa. Em todas, o medo de falhar esteve presente. Não controlamos nada, o máximo que podemos fazer é influenciar os resultados com uma dedicação plena e um cuidado com performance sempre crescente, com humildade para corrigir rotas e retomar a caminhada a cada novo dia.

2- A Revolução do pouquinho fala de pequenas atitudes que podem transformar a nossa vida, que atitudes são essas e como podemos aplicá-las?

E.Z. - No livro da Revolução do Pouquinho, que posteriormente transformou-se em metodologia de desenvolvimento humano e organizacional, listo 21 atitudes, entre elas a auto superação, a autoestima, comunicação, efetividade, produtividade, criatividade, coração, propósito, gentileza e outras. Essas 21 atitudes foram mapeadas neste período em que me dediquei a me conhecer melhor para virar o jogo. Foi mergulhando na compreensão e vivência de cada uma delas, de uma forma cartesiana até, que nasceu a base daquilo que hoje chamamos Trilhas de Atitudes da Revolução do Pouquinho, a metodologia que tenho levado na forma de palestras, workshops e treinamentos para diversas organizações em todo o País.

3- Tem algo muito forte em tua vida que é a preocupação com a ética, legado e propósito, teve algum momento que você se sentiu lesado por ter esse posicionamento?

E.Z. - Já declinei de propostas de emprego, de clientes, de sócios, de determinadas mídias, de prêmios, por não estarem congruentes com meus valores. Seriam oportunidades que, caso aceitasse, me colocariam desde o início em um conflito e um dilema muito grande. No senso comum, até diriam que fui trouxa. Mas o comum não é o normal, e eu prefiro seguir pelo caminho do normal, da ético, da moral e do respeito. De forma me senti lesado, mesmo abdicando de status ou de dinheiro em muitas delas. Quando a luz vermelha dos Valores dispara, o melhor é declinar e o preço do meu travesseiro leve e limpo à noite é muito maior que isso. Assim a tranquilidade interior em poder olhar nos olhos de minha filha e poder chamar sua atenção, quando necessário, com moral para isso. Qualquer ganho decorrente de ações assim estaria contra meus valores e, seria lesado realmente, se tivesse aberto mão disso.

4- Você que viaja o Brasil todo dando palestras e fazendo trabalhos de desenvolvimento de liderança se sente esperançoso ou preocupado com o cenário que você tem visto?

E.Z. - A esperança nunca pode acabar, mesmo tendo, como profissional de educação, que é o que somos, uma árdua jornada pela frente. Me sinto esperançoso, porém antes precisamos cuidar dos "feridos", aqueles que enviesaram por caminhos equivocados no que diz respeito a valores e acabaram se transformando em zumbis no meio dessa polarização que o Brasil ganhou nos últimos anos. Nunca se falou tanto em Propósito em grandes eventos e discussões corporativas quanto nos últimos dois anos. Em praticamente todos os congressos de liderança, desenvolvimento humano, educação e recursos humanos a palavra Propósito esteve presente. Mais do que uma palavra da moda, o diagnóstico é simples, porém requer uma profunda reflexão: chegamos no limite enquanto sociedade, algo que não é problema só no Brasil, mas em todo o mundo. Quem pensa que vivemos uma crise econômica está olhando o binóculo ao contrário. Vivemos o reflexo econômico de uma crise de liderança, que decorreu de uma crise de valores, que decorreu de uma crise de educação.

Enquanto profissional de Desenvolvimento Humano, colhemos nas organizações, no chamado 4º grau da educação, que é a corporativa, pessoas com deficiências sistêmicas em questões básicas, como o escrever direito, por exemplo. Não é raro em paralelo a um treinamento comportamental em liderança acontecer um que foca em escrita de e-mail, por exemplo. Logo, todo mundo que influencia pessoas - sejam líderes corporativos, líderes de família, educadores, vendedores, profissionais de atendimento, serviço público, o que for - precisa assumir seu papel nessa reeducação, começando por si próprio. É uma forma de construir ou resgatar o propósito pessoal para, em seguida, buscar convergir ao da organização onde atua. Com a Revolução do Pouquinho, buscamos ajudar a organização a tangibilizar para seu staff quais as atitudes que transformam em realidade prática aqueles valores que estão impressos na recepção da empresa.

Valores que, apesar de bonitos, bem redigidos, inspiradores, ainda são subjetivos para muita gente, pra não dizer inspiracionais ("um dia seremos assim"). Quando conseguimos conectar a prática com o discurso, eliminando essa zona de subjetividade e abstracionismo que existe, o propósito da organização floresce, tornando mais fácil para cada colaborador identificar se aquele lugar alinha-se com seu propósito pessoal ou não, facilitando a tomada de decisão.

5- E para você qual é o papel do Líder na Revolução dos liderados?
E.Z. - Com base na resposta anterior, o líder precisa justamente ajudar a equipe a atravessar essa zona cinzenta, oferecendo apoio, direção, segurança, autonomia, crescimento, participação, compartilhamento. É preciso consciência plena do impacto que tem no time a partir de cada atitude que toma ou que deixa de tomar, já que, o lugar que hoje ocupa, é a inspiração de muitos da equipe. Se ele mantém uma liderança enviesada, dúbia, sem transparência, sem expectativas claras e alinhadas e, ainda por cima, cria um ambiente de falta de respeito mútuo, não espere que sua equipe aja diferente. A equipe é apenas um reflexo da liderança. Sempre.

6- Se pudesse nos dar um conselho, qual daria?

E.Z. - Quando sentir certa infelicidade, percebida através de pensamentos e sentimentos difusos, faça sempre uma autoanálise: como está o seu Foco? Para ajudar ofereço não apenas a dica, mas o seguinte roteiro, o qual compartilhei em uma mensagem pessoal nessa virada de ano:
a. Felicidade nasce quando percebemos que a vida tem um Propósito;
b. Propósito é viver aquilo que você acredita, colocando para valer o coração no agora;
c. Colocar o coração no agora é ampliar o nível de atenção naquilo que você faz;
d. Atenção significa eliminar tudo aquilo que é desnecessário e cria dispersão; 
e. Definindo uma direção única aos recursos que tem - seus sentidos, seu tempo, seus pensamentos e sua energia - você descobre na prática o que significa foco

7- Fale dos seus planos para 2018. 

E.Z. - Tem livro novo no forno. Será meu 6º 100% autoral. Lançar a plataforma digital trazendo a metodologia das Trilhas de Atitudes no formato EAD. Estes são alguns dos objetivos já em curso e que devem ser concretizados ainda no primeiro semestre. Mas, o mais importante, continua sendo levar a Revolução do Pouquinho para cada vez mais lugares no Brasil, me conectando com a essência do brasileiro que é excelente, especialmente quando o assunto é empreendedorismo.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Doses de Foco Danielle Maciel Brandão É Diretora Executiva do GPTW PE/AL, coach Executiva e de Carreira, professora MBA em Gestão de Pessoas e Negócios , consultora em Gestão de Pessoas e mestre em Geociências pela UFPE em 2001. dani.maciel@greatplacetowork.com

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