Difusão

A Urna, o Código e a Ética

Publicado em 10/03/2018, às 21h12 | Atualizado em 10/03/2018, às 21h20

Por Marcelo Alencar

O voto eletrônico minimiza a ocorrência de fraudes, porque existe uma senha que criptografa os resultados / Foto: acervo

O voto eletrônico minimiza a ocorrência de fraudes, porque existe uma senha que criptografa os resultados Foto: acervo

O Brasil foi um dos primeiros países a realizar a votação por meio eletrônico. O Tribunal Superior Eleitoral adotou o voto eletrônico nas eleições de 1996. As eleições de 2000 já contaram com urnas eletrônicas em todo o País, com o sistema operacional Linux instalado a partir de 2008.

Engenheiros e pesquisadores ligados ao Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) participaram do projeto da eleição informatizada em grande escala no País.

A urna eletrônica, que já automatizou 100% das eleições no Brasil, foi desenvolvida pela empresa OMNITECH Serviços em Tecnologia e Marketing, entre 1995 e 1996, e aperfeiçoada, em 1997, chegando ao modelo que se tornou o padrão nacional.

Os componentes principais da urna eletrônica brasileira incluem a memória, que tem dois cartões com os dados idênticos, para minimizar os riscos de falhas, nos quais estão gravados o sistema operacional, os programas aplicativos, os dados sobre os candidatos e os votos, com o uso de mecanismos de segurança e redundância, para dificultar fraudes.

Há também um pen-drive, para gravar o resultado ao final da votação, um módulo impressor, usado antes do início e ao final da votação para a impressão do boletim de urna, um terminal do mesário, que dispõe de teclado numérico com leitor biométrico da impressão digital do eleitor, usado para que o mesário autorize o eleitor a votar.

O terminal do eleitor, por meio do qual o eleitor escolhe seus candidatos, é composto de uma tela de cristal líquido e um teclado numérico, com teclas para correção, confirmação e voto em branco.

Seis meses antes da eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz a apresentação dos códigos-fonte aos partidos políticos, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Ministério Público (MP). Nesse evento, são apresentados os códigos-fonte, as especificações e a documentação do programa.

Durante o período de abertura de códigos, os sistemas podem ser fiscalizados com o uso de ferramentas de análise de código. Duas delas são disponibilizadas pelo próprio TSE: Understanding C e Source Navigator.

A reunião é documentada e serve para melhorar o processo, o programa ou o equipamento, porque os representantes podem solicitar melhorias, tirar dúvidas, ou conversar com a equipe técnica do TSE.

Apesar de nenhum processo eleitoral do mundo ser inviolável ou inquestionável, seja qual for a sua natureza, o voto eletrônico minimiza a ocorrência de fraudes, porque existe uma senha que criptografa os resultados, e poucas pessoas têm capacidade para entender os códigos usados. Ao contrário do voto em papel, que pode ser fraudado por qualquer pessoa.

O curioso é que, recentemente, alguns políticos inescrupulosos têm espalhado boatos de que as urnas teriam problemas ou seriam inseguras, sugerindo como solução a conveniente impressão do voto do eleitor.

Porém, além da impressão do voto ser uma prática estranha ao processo eleitoral, jamais tendo sido realizada no País, nem mesmo quando o voto era em papel, esse procedimento aparenta ser apenas uma maneira de garantir ao político que compra votos um recibo do voto comprado.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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  • De: Lominha- 11/03/2018 09:31 Só quem não entende nada de informática acha que é assim, que está tudo certo. O código fonte não é tão fácil de analisar... Segundo, ele é o mesmo que será compilado ? Qualquer meio digital pode ser facilmente manipulado. Agora, se eu acredito em papai noel, eu acredito na segurança da urna, cebruthius....
  • De: Moreirra- 11/03/2018 09:18 A Lei 13.165/2015 aprovada por 368 Deputados Federais e 46 Senadores da República obriga a impressão do voto de cada eleitor. Porque será que o brilhante colunista não citou esta Lei em seu artigo? O TSE descumpre a Lei, simples assim. Além de permitir a recontagem dos votos caso necessário, o eleitor poderá confirmar se o voto impresso é igual ao que aparece na tela, ou seja, se a urna está registrando realmente a sua opção democrática. Vejam estes 2 vídeos da CCJ na TV SENADO no youtube https://www.youtube.com/watch?v=XJNwYATelII https://www.youtube.com/watch?v=s_I8giFUaG0 e conheçam a verdade sobre o TSE e sobre a urna eletrônica. O Congresso Nacional derrubou o veto presidencial a esta Lei da comunista Dilma que pretendia impedir este direito do eleitor brasileiro.
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