Difusão

O Mundo Instantâneo

Publicado em 01/02/2018, às 21h26 | Atualizado em 05/02/2018, às 12h17

Por Marcelo Sampaio de Alencar

Como a Amazon, editoras passaram a produzir livros instantaneamente, um a um, por demanda / Foto: divulgação

Como a Amazon, editoras passaram a produzir livros instantaneamente, um a um, por demanda Foto: divulgação

O mundo editorial mudou muito com a possibilidade de publicação de livros no estilo just-in-time, que pode ser traduzido como no momento certo, o sistema de gestão criado pela Toyota Motor Company, na década de 1950, mas difundido no ocidente apenas na década de 1990.

No passado, as editoras realmente produziam os livros, partindo dos originais escritos à mão, ou datilografados, pelos autores, para a edição de texto, passando pela revisão, edição de figuras, projeto gráfico até a produção, que, sendo de boa qualidade, envolvia a queima de fotolitos, como no processo offset.

Além disso, elas faziam pesquisa de mercado, propaganda e contratavam a distribuição dos livros. Assim, o lançamento de um livro era dispendioso, em termos de tempo, recursos humanos especializados e dinheiro, e novas edições demoravam décadas para sairem.

Hoje os livros são completamente feitos pelos autores, com o uso de editores de texto, que incorporam imagens, revisam o vernáculo e geram versões em quaisquer formatos de impressão.

Resta à editora fazer a revisão, contratar uma gráfica para produção e uma distribuidora para colocar os livros nas livrarias. Mesmo assim, as editoras continuam pagando aos autores o mesmo percentual sobre o preço de capa, da época em que os autores só tinham o trabalho de criar a ideia.

Porém, como a técnica japonesa se espalhou para outros setores da economia, as editoras passaram a produzir livros instantaneamente, um a um, por demanda. E editoras como a Amazon, entre outras, há anos produzem livros sem qualquer critério mercadológico, ou de qualidade literária ou científica.

Livros clássicos x livros instantâneos

Os livros clássicos passaram a perder terreno para os livros instantâneos que, como a música eletrônica, produzida por disc-jockeys, só existe naquele momento. Poucos leitores buscam os livros seminais, mais antigos, que geraram os conteúdos originais. Visam apenas buscar os livros mais recentes.

Como decorrência do novo estilo de produção, qualquer autor pode submeter qualquer texto para a publicação de um livro, sem precisar passar por análise de conteúdo ou revisão textual, sem pesquisa de mercado, sem qualquer demanda.

Como ocorre há algum tempo com as redes sociais, que tomam aos poucos o mercado dos jornais e revistas, no caso da publicação de um livro, basta mandar o arquivo para um engenho de produção, uma plataforma que faz as vezes de editora, e comprar os exemplares. No momento certo.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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