Difusão

Por onde trafega a informação mundial

Publicado em 02/11/2017, às 17h42 | Atualizado em 02/11/2017, às 17h53

Por Marcelo Sampaio de Alencar

Mais de 99% das comunicações mundiais trafegam por cabos submarinos / Foto: divulgação

Mais de 99% das comunicações mundiais trafegam por cabos submarinos Foto: divulgação

A percepção que os usuários têm sobre o fluxo de informação atual, pelo contato diuturno com aparelhos celulares, leva-os a crer que a maior parte dos dados trafega por canais de comunicações sem fio. Um engano comum.

A maior parte das comunicações mundiais, mais de 99% exatamente, trafega por cabos submarinos. E o negócio de cabo submarino é antigo. Em 1858, foi lançado o primeiro cabo metálico submarino, que interligava a América do Norte e a Inglaterra, mas sua operação durou pouco. O primeiro cabo submarino transatlântico que teve vida longa foi lançado em 1866.

No Brasil, o primeiro cabo submarino era parte da linha telegráfica inaugurada em 1857, que interligava a Praia da Saúde, no Rio de Janeiro, com Petrópolis. A extensão total da linha era de de 50km, sendo 15km por cabo submarino.

Irineu Evangelista de Sousa, Barão e depois Visconde de Mauá, financiou a construção de um cabo telegráfico submarino, inaugurado em 1875, que ligava o Brasil a Portugal, um contrato com a empresa British Eastern Telegraph Company.

Um levantamento feito pela TeleGeography, empresa que acompanha a instalação de cabos desde 1999, registra atualmente 360 cabos espalhados pelo planeta, cruzando os oceanos ou margeando o litoral de vários países. No total, a soma dos comprimentos de todos os cabos de fibra óptica supera 800 mil quilômetros.

Atualmente, a taxa média de transmissão de dados pelos cabos é de aproximadamente quatro terabits por segundo. Mas há projetos para novos cabos com capacidades entre 60 e 72 terabits por segundo, algo em torno de dez a 12 milhões de vezes a taxa de um modem residencial.

O Brasil conta com vários cabos submarinos

Por exemplo, em Santos, São Paulo, chegam os cabos EllaLink, Junior, Monet, South America-1 (SAm-1), South American Crossing (SAC) em conjunto com Latin American Nautilus (LAN) e Tannat. A Praia Grande tem o ARBR e o Seabras-1.

Partem de Salvador os cabos America Movil Submarine Cable System-1 (AMX-1), Brazilian Festoon e South America-1 (SAm-1). O Rio de Janeiro tem os cabos America Movil Submarine Cable System-1 (AMX-1), BRUSA, Brazilian Festoon, GlobeNet, Junior, South America-1 (SAm-1), South American Crossing (SAC) em conjunto com Latin American Nautilus (LAN).

Finalmente, chegam a Fortaleza os cabos America Movil Submarine Cable System-1 (AMX-1), Americas-II, Atlantis-2, BRUSA, EllaLink, GlobeNet, Monet, South America-1 (SAm-1), South American Crossing (SAC) junto com Latin American Nautilus (LAN), South Atlantic Cable System (SACS) e South Atlantic Inter Link (SAIL).

Como os cabos são geralmente submarinos, subterrâneos ou instalados em linhas e alta tensão, e dificilmente percebidos pelos usuários de telefonia ou transmissão de dados. Mas transportam, há mais de um século, o grosso das comunicações mundiais.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão mundial notícias trafega

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

Continue Lendo

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Vitrine NE10
Fechar vídeo