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Carros autônomos, seres nem tanto

Publicado em 22/08/2017, às 12h41 | Atualizado em 23/08/2017, às 21h32

Por Marcelo Sampaio de Alencar

Este é um modelo de carro autônomo criado pelo Google / Foto: divulgação

Este é um modelo de carro autônomo criado pelo Google Foto: divulgação

A palavra automóvel deriva da combinação do prefixo grego autós, que significa por si próprio, com a palavra latina mobilis, indicando mobilidade. Mas, na realidade, o automóvel sempre precisou de um condutor, e nunca, realmente, andou por contra própria.

Mas isso é passado! Há alguns anos, várias empresas, universidades e institutos de pesquisa têm projetado, construído e testado carros autônomos, em pistas de testes e também nas ruas e estradas, em diversos países. Inclusive no Brasil.

O carro autônomo integra sensores, sistemas de controle e atuadores para monitorar o ambiente, determinar as melhores opções de ação, para executá-las de forma segura e confiável. Até mais do que poderia ser conseguido por um condutor humano.

A ideia é antiga. O primeiro protótipo de veículo automatizado para via dedicada foi apresentado na Feira Mundial de Nova Iorque, que teve sua abertura em 30 de abril de 1939. O objetivo era permitir que os visitantes pudessem olhar o mundo do amanhã.

Há algumas vantagens associadas aos veículos autônomos, como a redução dos acidentes de trânsito provocados por erros humanos, principalmente porque o carro autônomo não excederá a velocidade permitida para a via, a possibilidade de pessoas com deficiência motora ou visual utilizarem o automóvel, sem auxílio de terceiros, o aumento da produtividade, visto que o condutor pode realizar outras atividades durante a viagem, o melhor aproveitamento dos recursos da eletrônica do veículo, o aumento da capacidade de tráfego das vias, considerando o menor tempo de reação do computador de bordo.

Desafios para os veículos autônomos

No entanto, há alguns desafios a considerar, incluindo o ajuste necessário da legislação de trânsito para considerar os veículos autônomos, a definição das responsabilidades legais associadas a acidentes provocados pelo veículo, a identificação inequívoca de pedestres, ciclistas e motoqueiros, e o aumento na percepção das condições de tráfego das estradas.



No mundo, a Waymo, uma empresa de desenvolvimento de tecnologia para carros autônomos, que faz parte da Alphabet Inc., o conglomerado proprietário do Google, iniciou seu projeto em 2009. Em 2015, carro autônomo iniciou testes em estradas públicas, no Texas, Estados Unidos. A empresa planeja ter carros autônomos disponíveis para o público, em 2020.

A General Motors desenvolveu o EN-V, um carro de dois lugares, em cooperação com a Segway, para direção automática, e fez uma demonstração em 2010. A BMW anunciou a produção em série em 2021. A Volvo conta com veículos autônomos para tentar reduzir a zero o número de mortes envolvendo seus veículos, até 2020. Os veículos de série da Tesla da Model já oferecem direção autônoma.

No Brasil, há o projeto de um carro robótico inteligente para navegação autônoma, no Laboratório de Robótica Móvel, há uma equipe de veículo autônomo, no Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica, um sistema embarcado de navegação autônoma, no Laboratório de Mecatrônica do Departamento de Engenharia Mecânica, e o desenvolvimento do caminhão autônomo, no Laboratório de Robótica Móvel, todos da Universidade de São Paulo.

Além disso, a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) desenvolve um veículo autônomo, a Universidade Federal do Espírito Santo trabalha no projeto Autonomous Robotic Automobile, e a Universidade Federal de Minhas Gerais (UFMG) tem um projeto de carro autônomo.

Com a circulação de veículos autônomos, as estradas terão que ser necessariamente melhoradas em termos de pavimentação e sinalização horizontal e vertical. As sinaleiras precisarão funcionar corretamente, para não provocarem acidentes, e os limites de velocidade poderão ser elevados, considerando a melhoria na resposta dos carros autônomos.

Porém, em poucos anos, os seres humanos, maiores causadores de acidentes e mortes no trânsito, serão proibidos de dirigir.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias autônomo

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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