Difusão

Como entender o reconhecimento

Publicado em 05/07/2017, às 16h01 | Atualizado em 05/07/2017, às 16h14

Por Marcelo Sampaio

A criação da Identificação Civil Nacional (ICN) deve fomentar o uso da biometria / Foto: reprodução internet

A criação da Identificação Civil Nacional (ICN) deve fomentar o uso da biometria Foto: reprodução internet

As soluções biométricas, geralmente desenvolvidas nas universidades e incorporadas pelas empresas aos seus sistemas, fazem o reconhecimento de atributos individuais, como o formato do rosto, o timbre da voz, ou quaisquer características físicas e comportamentais dos seres humanos.

Esse mercado é dinâmico e deve movimentar uma cifra superior a US$ 30 bilhões, em 2021, no mundo, segundo a empresa de consultoria americana ABI Research. No Brasil, o setor rendeu R$ 500 milhões, em 2016, podendo chegar ao dobro desse valor, em 2020.

O setor bancário precisa sempre aprimorar seus processos de identificação de clientes, e já conta com 90 mil caixas eletrônicos equipados com sensores biométricos. Dois terços desses caixas eletrônicos têm sensores multiespectrais, para identificação de camadas mais profundas dos tecidos, incluindo a visualização de vasos sanguíneos, o que dificulta o uso de dedos falsos, de látex ou plástico, por exemplo.

A criação da Identificação Civil Nacional (ICN) deve fomentar o uso da biometria com a incorporação dos principais dados públicos e registros biomédicos individuais em um circuito integrado, que também se incorporará à base de dados da Justiça Eleitoral.

O cadastramento, a análise e a validação da identidade em distintos processos biométricos são similares. Em geral, se usa a mesma estrutura, independente da parte do corpo utilizada. Isso ocorre para que os sistemas formem bases de dados acessíveis e de rápida análise, o que facilita a comprovação da identidade do indivíduo.

O processo começa com a captura, que representa a fase de registro dos dados a serem usados para a comprovação da identidade. Em geral, o procedimento requer que se posicione o indicador na leitora óptica, ou que se repita uma palavra ou sentença padrão. Esse processo pode ser refeito, até que o registro seja confiável.



A segunda fase é a extração, em que os dados coletados são traduzidos para informações que possam ser identificadas pelo sistema biométrico. Há certa variação no procedimento, pois cada sistema possui um método particular de tradução, que varia em confiabilidade e precisão, para transformar a imagem em um arquivo que possa ser lido pela máquina.

Depois de traduzir as informações para a linguagem do computador, o sistema cria um padrão para o cadastro, com base nas características reconhecíveis pelo sistema biométrico. Isso define o padrão inicial, que é convertido ao formato definitivo, para armazenamento. Com isso, dados da imagem são salvos em um arquivo mais simples, mais fácil de ser analisado pelo sistema, o que reduz o tempo de análise e a memória necessária.

Com o registro e a criação do padrão, a comparação é realizada, para determinar a eficiência de cadastro das informações fundamentais. Se houver falhas de identificação, ou falsa identificação positiva, em função da baixa qualidade das informações recolhidas, todo o processo é refeito, de modo a se obter resultados coerentes e confiáveis.

O lado perverso da biometria é que ela visa a automação completa dos bancos, substituindo o reconhecimento feito pelos caixas humanos, cujos cargos serão, em breve, extintos. Vale dizer que os bancos já repassaram parte das tarefas que eram realizadas por seus empregados para os clientes, que precisam entender os procedimentos bancários para realizar suas transações a partir de seus computadores, ou smartphones, pessoais.

Porém, os ganhos de produtividade obtidos não foram repassados para os clientes, nem resultaram em diminuição das tarifas bancárias, geralmente elevadas, que continuam a ser pagas, mesmo que o cliente nunca precise ir ao banco, e mesmo que o banco nem sequer tenha agências.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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