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O táxi, o Uber, o desemprego

Publicado em 07/06/2017, às 20h05 | Atualizado em 07/06/2017, às 20h13

Por Marcelo Sampaio de Alencar

O Uber vai, em alguns anos, com seus carros automáticos, extinguir não apenas os táxis convencionais, mas todos os empregos para motoristas / Foto: reprodução

O Uber vai, em alguns anos, com seus carros automáticos, extinguir não apenas os táxis convencionais, mas todos os empregos para motoristas Foto: reprodução

Os motoristas de Uber, o serviço de agendamento de carros pela Internet, são criticados pelos taxistas por tomarem seus empregos, e não se submeterem às regulações usuais dos municípios em que atuam.

Em geral, os taxistas reclamam que têm que adquirir uma praça, por preço geralmente elevado, além de precisarem pagar o registro do carro na Prefeitura, e os impostos associados. Antigamente era também necessário ter carteira profissional.

O Uber cobra uma taxa de 25% de cada motorista, por corrida, e seu aplicativo procura otimizar os agendamentos, para que o motorista não precise circular muito até encontrar um cliente.

O Uber funciona como o antigo sistema de rádio-táxi, mas usa um programa de computador, ou aplicativo, em vez das atendentes que direcionavam os táxis para apanhar os clientes.

Os taxistas, tipicamente, ficam em pontos definidos, ou circulam em busca de passageiros, consumindo combustível e horas de trabalho. Pode-se dizer, então, que empresas de agenciamento de transportes por aplicativos, como o Uber, tem o potencial de acabar com o serviço de táxi em alguns anos. E, talvez, afetar os serviços de ônibus e metrô.



O que vem por aí com os carros autônomos

Mas isso não é motivo para os motoristas ficarem contentes. Desde setembro de 2016, o Uber vem operando, inicialmente em Pittsburgh, Estados Unidos, com carros autônomos. Os 43 carros autônomos da empresa já percorrem mais de 32.756 km por semana. Isso mesmo, levam clientes a seus destinos sem precisar de motorista.

Claro, o sistema ainda requer intervenção humana, e os carros trafegam com motoristas de segurança, para tomar conta da direção, caso algo inesperado aconteça. As razões para invertenção variam de pistas mal sinalizadas a climas inclementes, passando por curvas mal feitas pelo sistema autônomo de direção.

Problemas de intervenções humanas causadas por possíveis acidentes, ou atropelamentos iminentes, chamados de intervenções críticas, ocorrem em percursos que variam de 114 km a 322 km. Entretanto, movimentos súbitos ou outros tipos de desconfortos para os passageiros, ocorrem entre 3,2 km a 6,4 km percorridos.

Porém, nada que não possa ser resolvido com Engenharia. E o que pode ser garantido, com os dados colhidos até o momento, é que o Uber vai, em alguns anos, com seus carros automáticos, extinguir não apenas os táxis convencionais, mas todos os empregos para motoristas.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias uber

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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  • De: Murilo Miranda- 10/06/2017 10:43 Exatamente! Em debate sobre a CLT, eu falava sobre que não teremos mais empregos como vemos hoje. A CLT morrerá não pelas reformas na lei, mas pela transformação radical no mercado de trabalho. Carro autônomo já é passado, milhares de coisas serão 'teletransportadas' por impressoras 3D. Vamos proibir isso também? Inovação é a inevitabilidade do avanço da humanidade!
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