Atitude adotiva

Atitude adotiva: uma homenagem a Luiz Schettini Filho

Publicado em 20/10/2015, às 13h41 | Atualizado em 20/10/2015, às 13h46

Por Guilherme Lima Moura

O tempo de Luiz Schettini Filho aqui conosco se mede em ano-luz  / Foto: internet

O tempo de Luiz Schettini Filho aqui conosco se mede em ano-luz Foto: internet



Anos-Lu(i)z

O nome Luiz possui algumas origens etimológicas interessantes. Entre os antigos franceses serviu para batizar o “guerreiro glorioso” (ludavicus). Os anglo-saxões medievais o entenderam como “célebre, famoso” (dawigaz). Os galeses o definiram como “alguém que deve ser ouvido” (clywed) e os irlandeses antigos apresentaram-no como o “eu escuto” (rochluiniur). Da mesma forma o mencionaram também os hindus, os armênios, os romanos, os celtas e muitos outros povos de todo o mundo e de todas as épocas: o guerreiro célebre e glorioso; aquele que escuta e que deve ser escutado. Aquele que é muito sábio.

Este nome surge para o “nosso” Luiz, portanto, como uma espécie de predestinação, uma profecia. Porque Luiz é isso tudo. Como diz sua amada parceira de jornada, Suzana, ele veio ao mundo com ferramenta extra para fazer a diferença. Sim. Luiz é extra-ordinário. Está acima do comum. Extrapola em capacidade de ajuda.

Luiz gosta de usar não apenas o Schettini, mas sempre faz questão do Filho. Há certamente uma razão especial para isso. Atrevo-me a tentar decifrá-la. Deve pensar nos pais, de quem tornou-se filho não apenas pela via biológica, mas na adoção que com eles praticou. Mas deve haver alguma outra mensagem, quase inconsciente-subliminar, do tipo “nunca deixe de lado o filho”. Bem... Se erramos sobre a intenção do dono do nome, certamente acertamos na mensagem porque com ele temos aprendido que é assim. Filho é o que há de mais importante.
Luiz também gosta de se definir como tentador. É porque ele pratica a fina arte de tentar, tentar e tentar. De nunca desistir. E ele nos convida a sermos também tentadores. Sempre. É realmente guerreiro.

Mas é importante, ainda, apontar mais um aspecto deste seu nome. Luiz tem a ver também com luz. E aí a predicação beira a perfeição. Porque o nosso Luiz tem sido, acima de tudo, um belíssimo farol para todos os que cruzam o seu caminho. E nada pode ser mais generoso do que projetar luz para os que surgem sedentos de aprender e, não raro, aturdidos e confusos.

Entre o dito e o não dito, Luiz tem dedicado toda a vida a educar com afeto. Tem nos ensinado a coragem de amar, a transformar o amor que a gente sente – esse tal amor perdido de amor – na existência real de pais, mães e filhos. Com sua conversa de pai, tem nos ensinado sobre os vários lados dessa história chamada adoção. Com ele nós, os pais adotivos, aprendemos sobre origem, segredo, revelação. Aprendemos a compreender o filho adotivo. E na difícil arte de educar, soubemos por ele que a coragem de conviver é possível se praticarmos o carão com carinho, sendo pais que se fundamentam numa pedagogia da ternura.

E assim o tem feito Luiz Schettini Filho. Ouvindo, falando, praticando, inspirando. E fazendo da sua biografia a própria história da adoção em todo o Brasil.

O tempo de Luiz aqui conosco se mede em ano-luz. Não a medida de distância. Mas a medida da iluminação que tem projetado sobre todos nós durante estes oitenta anos.
 
Oitenta anos de muita luz! Oitenta anos-Lu(i)z! E que venham muitos ainda, caro amigo da adoção. Para o bem de todos nós.

Muito obrigado, Luiz!

Em nome de todos os que fazem o GEAD Recife, em 17 de outubro de 2015.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Atitude adotiva Guilherme Lima Moura é pai adotivo, integrante do Gead (Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife) e professor da UFPE. glmoura@gmail.com

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