A mulher e a lei

Gleide Ângelo: o machismo que mata

Publicado em 16/10/2017, às 06h55 | Atualizado em 16/10/2017, às 06h56

Por Gleide Ângelo

Em diversos grupos de Whatsapp vi a indagação das pessoas sobre os porquês de um ato tão violento e descontrolado / Foto: Heudes Régis/JC Imagem

Em diversos grupos de Whatsapp vi a indagação das pessoas sobre os porquês de um ato tão violento e descontrolado Foto: Heudes Régis/JC Imagem

No artigo de hoje falarei sobre mais um crime bárbaro, brutal, ocorrido em 12/10/17 que deixou em choque toda a sociedade pernambucana, o caso de Serrambi, onde um rapaz de 30 anos matou a ex-namorada de 20 anos, matou o ex-sogro, atirou na ex-sogra e cometeu o suicídio. A investigação foi iniciada e tudo será esclarecido ao final. Mas, o que falarei sobre esse crime é uma pergunta que muitas pessoas estão se fazendo: o que leva uma pessoa tão jovem a cometer um ato desses? Em diversos grupos de Whatsapp vi a indagação das pessoas sobre os porquês de um ato tão violento e descontrolado.

É exatamente sobre isso que iremos conversar, sobre a motivação que leva homens a matarem mulheres e em seguida se matarem. Nesse tipo de crime, o que move o homem é o machismo. Um médico amigo meu me perguntou: o que leva um homem a matar a mulher e depois se matar? E prontamente respondi: o machismo que mata. E continuei: vivemos em uma sociedade patriarcal, onde o homem pode deixar a mulher, mas se a mulher deixar o homem, ela está assinando a sua sentença de morte. Uma sociedade onde o homem tem a mulher como um objeto, onde ele tem a posse e a propriedade dela. Onde ele se acha o dono da vida e da morte dela. Depois de dizer tudo isso, o médico me respondeu: perfeito, você disse tudo o que eu precisa ouvir, agora entendi.

Vivemos em uma sociedade patriarcal, onde o homem pode deixar a mulher, mas se a mulher deixar o homem, ela está assinando a sua sentença de morte Gleide Ângelo

Infelizmente, ainda temos que conviver com esse tipo de crime, onde homens não aceitam a decisão de uma mulher de querer terminar um relacionamento amoroso. Essa é uma característica do homem machista, agressor, de não aceitar a decisão da mulher, pois a última palavra tem que ser a dele, mesmo que seja com um disparo de arma de fogo na cabeça dela. Para o agressor, não importa o que ocorrerá com a vida dele, ele tem por objetivo destruir a vida dela. Por isso, que considero o feminicídio um crime de ódio. Na realidade, o agressor não ama a mulher, ela a odeia porque ela se “atreveu” a deixá-lo.

O QUE AS MULHERES PODEM FAZER PARA SE PROTEGER DE HOMENS QUE MATAM?

Os conflitos conjugais geralmente ocorrem dentro de casa, onde a policia não toma conhecimento dos fatos. Por isso, a mulher precisa denunciar o agressor para que a polícia a proteja. Mas, é importante que a mulher, antes de iniciar um relacionamento, enxergue e observe se o homem é agressor, violento e dominador. Com isso, ela conseguirá se afastar dele no inicio do relacionamento. Alguns comportamentos que devem ser observados com muita atenção:

Homem agressivo e violento que grita com você e costuma “perder a cabeça”, já demonstra que não te respeita. Como a violência doméstica é um ciclo crescente, não deixe a violência evoluir, rompa esse ciclo no início.

Homem possessivo e extremamente ciumento, que não deixa você olhar para os lados, já dá sinal de que você é posse e propriedade dele. Ele age como se você fosse um objeto e ele seu dono. Com essa atitude, ele jamais irá admitir que você o deixe porque ele tem certeza que é seu dono. Esse é um relacionamento extremamente perigoso. Se afaste, não deixe a violência evoluir.

Homem que te humilha, fala mal, te menospreza, que baixa sua autoestima. Esse é o tipo de homem que quer sabotar a sua felicidade. Ele quer te diminuir para que você não acredite na sua capacidade. Procure um relacionamento com um homem que construa com você os seus objetivos. Que fique feliz com suas conquistas. Evite homens sabotadores de sua felicidade.

Homem que proíbe você de ir à casa da sua mãe. Um homem que manda você escolher entre ele e a sua mãe já demonstra que tem a intenção de te isolar. Na verdade, ele não quer que seus familiares o enxerguem. Ele quer te afastar para que você fique isolada, fragilizada emocionalmente e sem ajuda. Tome muito cuidado com esse tipo de relacionamento e nunca se afaste das pessoas que te amam, pois elas te ajudarão a se proteger desse tipo de relacionamento.

Trabalhando com feminicídio e violência doméstica e familiar, observo que a maneira mais segura de uma mulher se proteger de um homem agressor é se afastando na primeira violência, seja uma ameaça, injúria, difamação. Se o homem não aceitar o fim do relacionamento, procure imediatamente uma delegacia de polícia e requeira as Medidas Protetivas de Urgência. Quanto mais tempo você passar com o agressor, a violência irá evoluindo para as lesões corporais e pode chegar ao feminicídio.

Amiga, as relações amorosas precisam ser construtivas, prazerosas e saudáveis. Relacionamentos que começam conflituosos tendem a terminar de forma trágica. Não invista em relações doentias. Observe, analise, enxergue se o seu companheiro é um homem que te ama, te respeita, se fica feliz com as suas conquistas. Tenha sabedoria para discernir entre o bom e o mau, entre o que constrói e o que te destrói. O feminicídio é um crime anunciado, onde o agressor dá diversos sinais da violência. Os casos que terminam em feminicídio, já começaram em conflitos. Por isso, o que tenho a te dizer é que não deixe o ciclo da violência crescer, rompa com esse ciclo no início. Se o agressor não aceitar e te ameaçar, procure uma delegacia de policia e peça as Medidas Protetivas de Urgência. Não coloque a sua vida nas mãos de ninguém. Se você colocar, pode ter certeza que o agressor será o dono da sua vida e da sua morte. Está na hora de dar um chega, um basta!

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA! DEIXE A POLÍCIA TE AJUDAR!

VEJA EM QUAIS ÓRGÃOS BUSCAR AJUDA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:

» Centro de Referência Clarice Lispector – (81) 3355.3008/ 3009/ 3010
» Centro de Referência da Mulher Maristela Just - (81) 3468-2485
» Centro de Referência da Mulher Márcia Dangremon - 0800.281.2008
» Centro de Referência Maria Purcina Siqueira Souto de Atendimento à Mulher – (81) 3524.9107
» Central de atendimento Cidadã pernambucana 0800.281.8187
» Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal - 180
» Polícia - 190 (se a violência estiver ocorrendo) - 190 MULHER


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

A mulher e a lei Gleide Ângelo é delegada especial, gestora do Departamento da Mulher. gleideangelo@gmail.com

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  • De: ANA VERUZA DA COSTA- 26/10/2017 14:10 Excelente matéria como tudo que faz sou sua fá parabéns precisamos de varias Gleide Ângelo pelo mundo que Deus te proteja sempre.
  • De: Daniele Costa- 23/10/2017 13:01 TIraram meu comentário porque sabem que é verdade: s mulheres sofrem agressões porque muitas vezes primeiro provocam, ameaçam quando não atacam fisicamente. Tornem-se lésbicas, voltem a ser femininas ou então se afastem dos homens ou virem plantas. Não confundir feminismo como mesmo machismo idiota...e perigoso.
  • De: Jandilson de Albuquerque Cordeiro- 21/10/2017 07:49 Dra, Gleide, sou seu fã, acompanho diariamente o seu trabalho incansável em defesa da sociedade, mas nada disso adianta, se não mudarem as leis, essa semana, não me lembro bem, assisti em CARDINOT, um cara solto com dezessete crimes, estupro, homicídios, trafego, porte de armas,, entretanto, eu não consigo nem a sociedade também consegue entender, porque uma elemento desse estava solto, lembro de pobre mulher, que furtou, 02 tabletes de margarina, e um pacote de fuba, para alimentar os filhos ficou 09 meses presa, o outro coitado tirou uma casca de uma pau para fazer um chá, ficou também 10 meses preso da para a Drª explicar essa diferença? um forte abraço, e continue no seu Trabalho, ainda que enxugando gelo.
  • De: Daniele Cota- 19/10/2017 15:04 Qualquer um sabe que as mulheres de hoje provocam, ameaçam e até atacam m primeiro. Tornem-se doces ou virem lésbicas, porque às vezes não há outro meio de combater a agressividade senão com a violência.
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