A mulher e a lei

Tenho dependência emocional, mas não tenho dinheiro para me tratar. O que faço?

Publicado em 11/09/2017, às 07h35 | Atualizado em 11/09/2017, às 07h56

Por Gleide Ângelo

''Toda mulher quer ser amada e respeitada'' Foto: Heudes Régis/JC Imagem

No artigo de hoje falarei sobre um problema que muitas mulheres sofrem, a de querer dar um basta na violência doméstica, mas não conseguirem por causa da dependência emocional. Elas sabem que precisam de um tratamento psicológico para descobrir a origem da dependência, mas não têm dinheiro para custear o tratamento. Hoje vou orientar Janaína e as mulheres, onde buscar ajuda gratuita e se libertar dessa violência doméstica, chamada violência psicológica.

Já deixei ele mais de 20 vezes e sempre volto. Minhã mãe diz que sou safada e gosto de apanhar

Inicialmente, já adianto que nenhuma mulher gosta de apanhar. Toda mulher quer ser amada e respeitada. O problema é que algumas mulheres criam muita expectativa em um relacionamento amoroso e transformam aquele homem em uma pessoa que ele não é. O homem é um agressor, mas a mulher não quer enxergar, nega toda a violência que está passando, para justificar as atitudes machistas e dominadoras dele. Algumas até dizem que a culpa é delas, que foram agredidas porque provocaram. E assim, vão esperando que um dia esse "príncipe encantado" mude. E, na verdade, o que vai mudando é a intensidade das agressões, que aumentam a cada dia.

Na mensagem, Janaína disse que tem consciência de que é vitima de violência doméstica, mas não consegue deixar o agressor. Toda vez que ele a agride, ela sai de casa e vai para a casa da mãe. Mas, quando ele a procura, arrependido, jurando que irá mudar, ela acredita e volta. E assim já se passaram cinco anos, e Janaína disse que já voltou para ele mais de 20 vezes. Janaína, como tantas mulheres precisa de ajuda para se libertar da violência e romper com esse ciclo crescente e covarde, que pode terminar com o feminicídio. Ela pede ajuda, e pergunta, o que faço? Estou desempregada e não tenho dinheiro para me tratar.

Centro Clarice Lispector, um referencial no combate à violência contra a mulher

A Lei Maria da Penha prevê a criação de Centros de Referência para as Mulheres. Em quase todos os municípios existem Centros de Referência. Hoje vou falar do Clarice Lispector, que é o Centro de Referência do município do Recife, sob a coordenação da Secretaria da Mulher do Recife.

Para atendimento de suas finalidades, o primeiro acolhimento (atendimento) é interdisciplinar formado por uma equipe com 1 Assistente Social, 1 Psicóloga e 1 advogada. Ao receber a demanda a equipe faz o acompanhamento jurídico, psicológico e social e encaminhamentos necessários a rede de enfrentamento a violência contra a mulher, saúde e assistência, educação, habitação.
O número de mulheres em situação de violência que foram atendidas pelo serviço da rede municipal da Prefeitura do Recife - Centro de Referência Clarice Lispector - do período de 2012 a 2017, foram de 2.518 (duas mil, quinhentos e dezoito mulheres). Todas foram atendidas e nenhuma mulher atendida pelo Clarice foi vítima de feminicídio.

SERVIÇOS OFERECIDOS PELO CLARICE LISPECTOR

* Liga Mulher - 0800 281 0107, o principal canal de comunicação por onde as mulheres recifenses em situação de violência doméstica, família e sexual busca orientação psicológica e jurídica. O serviço presta seu atendimento com foco no acolhimento, orientação, denúncia e encaminhamento para os diversos serviços do Centro de Referência Clarice Lispector, garantindo um atendimento imediato às mulheres do Recife. O Liga Mulher 0800 281 0107 é um instrumento de fundamental importância para o sucesso dos trabalhos executados pelo Centro de Referência Clarice Lispector (CRCL);

* Escuta e acolhimento individual;
* Atendimento e acompanhamento psicológico, jurídico e social;
* Formações para gestores/as e profissionais dos serviços da Rede de Proteção às mulheres vitimas de violência;
* Formação de grupos terapêuticos e de cidadania;
* Ações de prevenção em grandes eventos;
* Ações de prevenção nas comunidades;

Janaína, você e muitas mulheres que sofrem violência doméstica não precisam ter dinheiro para ter um tratamento adequado. No Centro de Referência todo o trabalho executado é gratuito, sem nenhum custo. Das 2.518 mulheres atendidas no Clarice, nenhuma foi vítima de feminicídio, o que demonstra a segurança e efetividade do atendimento. A dependência emocional precisa ser tratada. Muitos familiares não entendem porque a mulher sofre violência doméstica e não consegue deixar o agressor. Para algumas mulheres é muito fácil deixar e simplesmente ir embora. Mas, há mulheres que foram tão violentadas psicologicamente, que não têm forças para reagir. Essas mulheres precisam da ajuda dos familiares, amigos, profissionais capacitados. E essa é a função do Centro de Referência.

Amiga, não passe nem mais um minuto sofrendo violência doméstica. Telefone para um Centro de Referência, converse, agende o seu atendimento. Você já sabe onde encontrar ajuda. O agressor vai continuar destruindo a sua vida. Só você pode dar um basta e reconquistar tudo o que foi perdido. O equilíbrio emocional é o primeiro passo para uma mudança de vida. Se você não estiver conseguindo se libertar da violência sozinha, procure ajuda. Levante a cabeça e deixe os profissionais lhe ajudar. Tudo isso tem jeito e a dor ficará para trás. O Clarice está de portas abertas para lhe receber, dê o primeiro passo e ligue. Essa ligação será o inicio da sua superação!

EM QUAIS ÓRGÃOS BUSCAR AJUDA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:

» Centro de Referência Clarice Lispector – (81) 3355.3008/ 3009/ 3010
» Centro de Referência da Mulher Maristela Just - (81) 3468-2485
» Centro de Referência da Mulher Márcia Dangremon - 0800.281.2008
» Centro de Referência Maria Purcina Siqueira Souto de Atendimento à Mulher – (81) 3524.9107
» Central de atendimento Cidadã pernambucana 0800.281.8187
» Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal - 180
» Polícia - 190 (se a violência estiver ocorrendo) - 190 Mulher


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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A mulher e a lei Gleide Ângelo é delegada especial, gestora do Departamento da Mulher. gleideangelo@gmail.com

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  • De: ronaldo- 11/09/2017 13:53 Muitas mulheres precisam tomar,paralelamente ao tratamento,GRANDES DOSES DE "VERGONHOL"!!!!!!!!! Ajuda muitooooo!!!!!!
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