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Barco encontrado diante da costa haitiana não é o de Colombo, diz Unesco

Ana Maria Miranda
Ana Maria Miranda
Publicado em 06/10/2014 às 17:27
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A embarcação encontrada diante da costa do Haiti e apresentada como a "Santa Maria" por um explorador americano em maio de 2014 "não é a nau de Cristóvão Colombo", segundo a missão de especialistas realizada pela Unesco a pedido do governo haitiano.

"Temos agora uma prova irrefutável de que se trata de um navio de um período muito mais tardio", segundo o relatório dos especialistas, indicou nesta segunda-feira um comunicado da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

O relatório da missão, realizada em Cabo Haitiano, no norte do país, "se baseia em uma escavação submarina realizada de 9 a 14 de setembro por um especialista designado pelo Conselho Científico da Convenção da Unesco sobre a proteção do patrimônio subaquático, o espanhol Xavier Nieto Prieto", disse a Unesco.

Ex-diretor do Museu Nacional de Arqueologia Submarina da Espanha e especialista renomado em navios espanhóis, Nieto Prieto esteve acompanhado de Tatiana Villegas, do Escritório da Unesco no Haiti, de Kenrick Demesvar, do Ministério haitiano da Cultura, e de Maksaen Denis, do Gabinete Nacional de Etnologia do Haiti, acrescentou o comunicado.

"Os elementos de fixação encontrados no local, perto do recife de Coque Vieille, correspondem a uma técnica de montagem que remonta ao fim do século XVII e até ao século XVIII, época na qual os elementos que constituíam a estrutura do barco eram fixados com pregos de cobre ou bronze. Anteriormente, os elementos de fixação utilizados na construção naval eram de ferro ou madeira. Portanto, o barco encontrado não pode ser o 'Santa Maria'", que afundou na véspera de Natal em 1492, explicou a Unesco, acrescentando que a localização da embarcação também não coincide com a do naufrágio do "Santa María".

O relatório de avaliação recomenda explorações adicionais para localizar o verdadeiro navio "Santa Maria" e que seja feito um inventário com outros naufrágios registrados na região.

Em 14 de maio, o explorador submarino americano Bill Clifford disse ter identificado o "Santa Maria", uma das três caravelas da primeira viagem de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo.

Em 12 de junho, o governo haitiano pediu ajuda à Unesco e solicitou o envio de uma missão de especialistas, autora do relatório.

Colombo zarpou em 13 de agosto de 1492 do porto de Palos (sudoeste da Espanha) com a "Santa Maria" e as caravelas "Pinta" e "Niña", tentando encontrar uma rota para a Ásia.

Em 12 de outubro daquele ano, Colombo desembarcou na ilha de Guanahani, que os historiadores identificaram como parte do arquipélago das Bahamas, no que é considerado popularmente como o "descobrimento da América".

Colombo continuou sua expedição pelo Caribe, chegando à ilha de Cuba em 28 de outubro, e a Hispaniola, ou ilha de Santo Domingo, em 6 de dezembro.

Após o naufrágio do "Santa Maria", no final de 1492, Colombo viajou à Espanha com os outros dois barcos de sua primeira expedição para informar à rainha Isabel sobre os resultados de sua viagem.

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