réveillon

No hospital, contagem regressiva é para salvar vidas

Publicado em 30/12/2015, às 15h10 | Atualizado em 30/12/2015, às 16h10

Mayra Cavalcanti Do NE10

Nos dois últimos anos, a médica Audrey Vasconcelos passou o Natal e o Réveillon de plantão / Foto: Mayra Cavalcanti/NE10

Nos dois últimos anos, a médica Audrey Vasconcelos passou o Natal e o Réveillon de plantão Foto: Mayra Cavalcanti/NE10

Na família da médica Audrey Vasconcelos, 43 anos, a ceia natalina em 2015 aconteceu no dia 19 de dezembro. Filha, irmã e cunhada de médicos, é difícil conciliar as escalas de plantões de todos e reunir a família em datas comemorativas. Audrey faz parte do grupo de pessoas que dedicam os últimos momentos do ano para salvar vidas.

Hematologista pediátrica do Hospital da Restauração, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá e de um hospital particular do Recife, Audrey sabe bem o que é passar o Natal e o Réveillon longe da família. Nos últimos dois anos, por exemplo, trabalhou em ambas as festas. "São 19 anos de profissão, então já trabalhei muitos carnavais, natais e anos novos. Como sou plantonista, quase sempre estou na escala dos feriados", explica. 

Mãe de dois filhos, Renata (14) e Paulo (6), Audrey diz que apesar de sentirem sua falta, eles já estão acostumados com sua rotina. "Meus filhos acabam admirando a minha dedicação à profissão. Com o tempo, fui me acostumando também e hoje em dia já não tenho mais a sensação de que estou perdendo algo. Sei que estou fazendo meu papel e ajudando outros", afirma.

Mas vivenciar a passagem de um ano para o outro trabalhando não significa, necessariamente, a ausência de celebração. De acordo com Audrey, em datas comemorativas, os hospitais sempre montam uma ceia especial e há, inclusive, a troca de presente entre os colegas de trabalho. "Quando possível fazemos a contagem regressiva e damos abraços e desejamos um feliz Ano Novo para os colegas e os pacientes", conta.

A médica revela que os plantões durante feriados são tranquilos, apesar de ter uma quantidade maior de pacientes graves. "Geralmente os pacientes que chegam foram vítimas de acidentes de trânsito ou de um disparo de arma de fogo, por isto são mais graves e podem precisar de mais transfusões de sangue". Segundo Audrey, se em um dia comum de plantão são atendidas 62 crianças na UPA da Caxangá, apenas duas ou três precisam de atendimento na noite de Réveillon, em média. 

Com tantos anos de experiência em plantões de feriados, Audrey leva algumas histórias inusitadas na memória, como um paciente que chegou de uma festa na igreja com diarreia, vômito e desidratado. Ao conversar com ele, a criança relatou que achava que a comida da festa estava estragada. "A mãe dele tentou desconversar, mas o menino disse que várias outras pessoas também teriam que ser atendidas. Não deu outra. Em menos de uma hora, 10 pessoas da mesma igreja chegaram na emergência do HR com os mesmos sintomas", comenta.

De folga no Réveillon 2015, a hematologista diz que vai viajar para uma praia e aproveitar o momento com seus filhos. "Já passei ano novo transferindo paciente dentro de uma ambulância, faz parte do trabalho. Mas este ano vou pode abraçar meus filhos".

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